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Entrevistas - 14.12.2018

Já foi considerada a intérprete que mais contribuiu para a divulgação da música portuguesa no mundo, e já teve o privilégio de pisar palcos mundialmente célebres como o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Royal Albert Hall, em Londres, ou a Opera de Sidney. Ao longo de quase duas décadas de carreira, Mariza fez e continua a fazer “história” na história da música portuguesa sempre que apresenta um novo disco ou sobe a um novo palco. No seu último álbum – Mariza - lançado no início deste ano, estreia-se como autora e apresenta, pela primeira vez, um tema escrito por si, Oração. No entanto, assegura que é no palco a cantar que melhor consegue expressar o que sente. Gosta de usar as palavras como “veículos das suas emoções” e diz que cada tema é um reflexo da sua vida. Em entrevista à F Luxury, a fadista fala das inovações do seu mais recente álbum, do fado do século XIX que soube “crescer” e partilha a sua ligação especial a África, o continente onde nasceu e onde gosta sempre de voltar.

 

Ao longo da sua carreira, teve o privilégio de atuar nos palcos mais importantes do mundo e já foi considerada pelo jornal britânico The Guardian “uma diva da música do mundo”. Qual é o balanço que faz destes 17 anos de carreira?

Fico muito feliz por perceber que estes 17 anos passaram tão depressa, com muita dedicação e perseverança. Nem sempre foi fácil, mas quando se faz o que se ama tudo é bom. Amo cantar, é a minha vida. Agradeço a todos os que tornaram este sonho possível, pois sozinha nunca teria conseguido.

 

Quais são as principais diferenças que podemos encontrar entre a cantora Mariza de 2001 - ano em que lançou o seu primeiro álbum (Fado em Mim) - e a Mariza deste sétimo álbum que lançou em maio (Mariza)? Considera-se uma cantora mais madura? O que aprendeu e o que mudou, ao longo destes anos, na forma como canta e interpreta?

Se não tivesse crescido como ser humano e como cantora ao longo destes anos algo não fazia sentido. Esse amadurecimento surge sempre em cada disco, em cada concerto, porque a música que canto, é o reflexo da vida, das experiências vividas, das emoções. E se não fosse assim vocês perceberiam que aquilo que canto e sinto não era verdadeiro.

 

Em 17 anos de carreira, escreveu pela primeira uma vez uma música neste seu novo álbum, Oração. O que a levou a escrever um tema ao fim destes anos?

Eu sempre escrevi, mas nunca tive coragem de o tornar público. Por engano, as palavras do tema Oração foram misturadas no meio de outros poemas e as minhas palavras apareceram musicadas.

E nessa altura não havia como fugir...

 

Como é interpretar um tema em palco escrito por si?

Não é fácil cantar as minhas próprias palavras, pois sei exatamente o significado de cada uma e o porquê de terem sido escritas. Sinto uma facilidade maior quando utilizo as palavras de outras pessoas como veículos das minhas emoções.

 

Este novo álbum também se distingue por reunir diferentes artistas como Mafalda Veiga, Marisa Liz e Jorge Palma... Como surgiu a ideia de cruzar todas estas vozes num único álbum? E o que representam para si estes cantores?

Sempre ouvi o tema Trigueirinha e sempre senti vontade de o cantar à minha maneira. Mas achei que poderia dividi-lo com vozes e artistas que admiro e do qual sou fã. E por isso aconteceu. Mas também tem um lado solidário; este tema reverte a favor da Casa do Artista, uma casa que recebe pessoas ligadas ao mundo do espetáculo e que as trata com a máxima dignidade. Todos concordámos que era a causa certa para fazermos um tema em conjunto.

 

O músico angolano Matias Damásio foi um dos artistas convidados para entrar neste novo álbum com o single Quem me dera. Como surgiu a ideia de incluir esta música no seu álbum? Uma música tão diferente do fado tradicional? Foi também uma forma de mostrar às pessoas que África faz parte das suas “raízes”?

A África fará sempre parte das minhas raízes. Eu nasci em Moçambique e regresso lá todos os anos para visitar a família. Adoro a minha terra, o cheiro, a comida, a paisagem, as pessoas. O Matias Damásio é neste momento o grande artista africano da Música Lusófona. A sua capacidade de compor e de escrever é muito original. Somos ambos artistas da mesma editora e surgiu assim a oportunidade de lhe pedir um tema. E assim foi, um tema atual que fala de amor na sua essência.

 

A Mariza tem uma ligação especial a Angola. Podemos dizer que este país a influencia enquanto fadista e como pessoa?

Sempre tive amigos músicos angolanos, desde a minha adolescência. Sempre estive muito perto da música de Angola. E tudo isso aconteceu de uma forma muito natural.

 

Quais as melhores recordações que guarda deste país? Tem algum “cantinho especial” que tenha ficado no seu coração?

Já desci a Serra da Leba, conheço algumas coisas de Angola. Sou fã de muitos músicos angolanos, e já tive o prazer de lá cantar. Angola tem um lugar muito especial no meu coração. Tenho grandes amigos e fiz grandes amigos angolanos. Sinto Angola como parte das minhas raízes, e desde os meus 17 anos que visito o país. Sinto um enorme carinho por todo o povo angolano.

 

Tem noção de como o fado é sentido em Angola? Como é a recetividade do público angolano à sua música? O que este tem de especial?

De todas as vezes que cantei em Angola senti um grande carinho. As pessoas conheciam as minhas músicas e sentiam o que eu cantava. Há alegria maior?

 

Ao longo da sua carreira chegou a esgotar, por várias vezes, palcos mundialmente célebres e já foi distinguida como “a intérprete que mais contribuiu para a divulgação da música portuguesa no mundo” Como se sente sempre que atua num palco internacional?

É um privilégio para mim poder cantar, sentir que sou bem recebida e que as pessoas conhecem a música que faço. O resto… eu já não sei.

 

Consegue eleger os palcos ou concertos que mais marcaram a sua carreira e que sempre irá relembrar? O que tornou esses concertos marcantes e inesquecíveis?

Todos os concertos são especiais e únicos. Ao longo de quase 20 anos de percurso fica difícil eleger “O Concerto”, mas as primeiras vezes que se pisam palcos únicos é inesquecível.

O Carnegie Hall em Nova Iorque; a Opera de Sidney na Austrália; o Royal Albert Hall em Londres; o Olímpia de Paris; o Palau de La Música em Barcelona; o Walt Disney Concert Hall em Los Angeles; o Concerto em Belém em Lisboa; o Estádio dos Coqueiros em Luanda.

 

Atualmente, há mais pessoas a ouvir fado, mas o fado atual é também um fado diferente. Como encara este “novo” fado e a nova geração de fadistas?

O fado é uma música urbana que nasceu no século XIX do triângulo entre Portugal, África e Brasil. Uma música que assenta raízes na minha cidade, a cidade onde cresci: Lisboa. Uma música que se movimenta ao ritmo do batimento cardíaco da sua cidade e dos seus interlocutores. Assim como a cidade cresce e se movimenta é lógico que se cante esse movimento. Aconteceu assim no século XIX e acontece assim agora. É fabuloso perceber que o fado continua atual e representado por grandes vozes. É uma música universal e transversal a várias culturas.

 

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