Manuela Saldanha – Loja das Meias em entrevista exclusiva

Loja das Meias - Avenida
Loja das Meias - Amoreiras
Loja das Meias - Cascais
Loja das Meias - NorteShopping
Manuela Saldanha, Pedro Miguel Costa, Marina Costa e Pedro Maria Costa
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Loja das Meias – Uma marca incontornável no mundo da moda de luxo

A F Luxury conversou com Manuela Saldanha, que, ao lado dos irmãos, Marina Costa e Pedro Miguel Costa e, mais recentemente de Pedro Maria Costa, seu sobrinho, gere uma das maiores referências nacionais no mundo da moda de luxo. Falamos da icónica Loja das Meias que surgiu no final do século XIX, no Rossio, em Lisboa, e que se tem mantido na mesma família há 120 anos. Esta é uma longa história que tem exigido “uma entrega total, muito trabalho, rigor e perseverança”. Nesta entrevista, a gestora e diretora de marketing revela os principais desafios de uma área de negócios que define como “muito desafiadora” e onde “a evolução é permanente”, e antecipa algumas novidades que vão chegar às lojas muito em breve.

A Loja das Meias é “um negócio familiar” há mais de cinco gerações. Como é que tudo começou?

Nos finais do século XIX, o nosso bisavô começou a trabalhar no negócio Loja das Meias, no Rossio, e, em 1905, adquiriu aos restantes sócios as suas quotas. Assim, há mais de quase 120 anos que o negócio está no seio da nossa família, passando de geração em geração. É uma história de família com muito para contar… Passaram pelo Rossio as mais importantes figuras públicas e temos um livro de ouro que tem os testemunhos, desde 1939, quando o general Carmona inaugurou o livro. Dirigida pelo nosso bisavó Pedro Costa e, seguido pelo filho, o nosso avô, Pedro Costa, a Loja das Meias foi sempre um ponto de referência no mundo da moda pelas novidades apresentadas, sempre em primeira mão, graças a uma incessante procura pelo que se fazia de melhor em toda a Europa. Os nossos avós e pai viajavam muito pela Europa, onde travaram conhecimento com Dior, Courrèges, Lanvin, etc. Com a evolução da cidade, fomos crescendo e alargando as áreas de comercialização.

Quais são os momentos que destaca nesta longa história da Loja das Meias?

Em 1971, o nosso pai inaugurou a loja da Castilho que foi um enorme sucesso e uma grande inovação na época. Em 1985, foi a vez da loja das Amoreiras e, em 1995, da loja de Cascais, situada numa bonita casa no centro da vila. Durante estes anos, também a moda foi evoluindo e a procura de novas marcas foi sempre incessante, com o objetivo de oferecer aos nossos clientes as últimas novidades, sempre com o cunho do bom gosto. Com a evolução do negócio, em 2016, abrimos uma nova loja em Lisboa, na Avenida da Liberdade, a avenida mais icónica da cidade, onde se situam os negócios de luxo, com dois importantes corners de duas marcas de luxo, a Dior e a Celine. Mais recentemente, abrimos uma loja no Porto, no NorteShopping, com um conceito jovem e fashion. E, como não poderia deixar de ser, a nossa plataforma de e-commerce, que podemos considerar a nossa ‘quinta loja’, porque já opera no negócio há vários anos, tem atualizações permanentes.

No futuro, o objetivo é manter a gestão da Loja das Meias dentro da família?

Atualmente, a gestão é feita pela quarta geração, ou seja, os três irmãos que são responsáveis pelas várias áreas de gestão da empresa, o Pedro, a Marina e eu. Recentemente, entrou na organização a quinta geração, representada pelo Pedro Maria, de forma a darmos continuidade a este negócio de família que perdura há muitos anos. Todos nós começámos a trabalhar, há vários anos, com bastante entusiasmo. É uma área de negócios muito desafiadora e com imensas inovações, em que a entrega é total.

Ao longo destes anos, o que mudou nos hábitos dos consumidores de luxo, em Portugal?

O luxo será sempre um bem desejável. Obviamente que o luxo foi e vai evoluindo sempre ao longo dos tempos e diverge de pessoa para pessoa. É preciso compreendê-lo e estar disponível para ter esta oferta nos vários conceitos de loja. As lojas têm de estar preparadas, toda a equipa tem de ser formada e informada, todos os pormenores têm de ser pensados e disponibilizados aos nossos clientes, e os produtos oferecidos têm de ser muito bem selecionados. O luxo é exigente para quem o trabalha e, só assim, podemos superar as expectativas dos nossos clientes. É o que gostamos de fazer e é o que tem sido a essência da Loja das Meias há tantos anos.

Como são os novos consumidores de luxo?

Os hábitos dos consumidores de luxo em Portugal têm evoluído como a própria moda tem evoluído ao longo dos anos. Os produtos oferecidos são diferentes, há uma maior sensibilização para produtos sustentáveis e uma valorização dos produtos que dão valor à manufatura humana, à arte e à inovação. Cada vez há mais consumidores jovens de produtos de luxo e, consequentemente, a oferta também se tem tornado mais jovem. Os produtos de luxo têm sempre um valor intrínseco muito valioso, mas, acima de tudo, são produtos únicos e relativamente exclusivos, que têm na essência da sua procura o conceito de que “a emoção ultrapassa a razão”.

De que forma é que a Loja das Meias se tem adaptado às mudanças impostas pelas novas necessidades do consumidor de luxo?

Ao longo destes 120 anos de existência, a Loja das Meias tem-se adaptado às exigências do mercado e da sua clientela procurando sempre as novidades e associando-se a marcas top. Trabalhamos com várias marcas de moda de luxo, como Dior, Celine, Givenchy, Balmain, Loewe, Dolce Gabanna, Paco Rabanne, Etro, Salvatore Ferragamo, mas também com outras marcas de luxo fashion, como a Zimmerman, a Alice e Olivia e a Marc Jacobs, etc. É com este mix de marcas de moda que vamos ao encontro das novas necessidades do consumidor de luxo. A oferta do produto é moda, é jovem e é completa.

As lojas estão organizadas por corners, permitindo a cada marca apresentar melhor a suas coleções, mas assegurando sempre a harmonia de conjunto. O atendimento é muito personalizado nas lojas físicas e realizado por equipas bem formadas e informadas. A comunicação, cada vez mais exigente, é feita através dos meios digitais diariamente. Procuramos estar em contacto com os nossos clientes de uma forma muito qualitativa e assídua. 

Quais são os principais desafios, atualmente, na gestão de uma loja do segmento de luxo como a Loja das Meias?

Como em todos os negócios, os desafios são permanentes. Há que estar cem por cento focado no negócio e nos clientes, e ter sempre a ‘abertura’ necessária para perceber novas oportunidades… Para ouvir, ver, procurar e decidir.

Depois de uma longa caminhada em Lisboa, só agora, ao fim de cem anos, decidiram investir no Porto. Como surgiu esta oportunidade?

Já há muitos anos que temos um vasto leque de clientes da região norte do país, nas nossas lojas de Lisboa e, entretanto, fomos desafiados pela Sonae para abrir uma loja na nova área Galleria, com uma oferta premium, e, com a entrada da quinta geração na nossa organização, não tivemos dúvidas… É um novo mercado e um novo desafio que veio potencializar o negócio Loja das Meias. 

Recentemente, conseguiram reforçar a presença de algumas marcas nas vossas lojas, como é o caso da Dior, e conquistar novas marcas para o vosso portefólio. Que significado têm estes passos?

A Loja das Meias já trabalha a marca Dior há muito tempo, desde os anos 1950. A grande mudança deu-se, em 2016, na loja da Avenida da Liberdade, onde fizemos um importante corner da marca e onde passámos a apresentar a marca nas suas várias categorias de produtos: pronto a vestir, malas, calçado e outros acessórios. Além desta importante marca de luxo, a Loja das Meias tem no seu portefólio outras importantes marcas, que tem adquirido ao longo dos tempos, como Celine, Salvatore Ferragamo, Dolce Gabanna, Etro, Balmain, Paco Rabanne, Emilio Pucci, Nina Ricci, Hogan, Tods, Marni, MSGM, ECOALF (marca de moda masculina, sustentável e ecológica) e outras novas que já estão negociadas. Este é o reconhecimento internacional de um trabalho feito pela Loja das Meias com muito profissionalismo e paixão.

Gostariam de representar novas marcas na Loja das Meias no futuro?

Claro que sim. Procuramos sempre o que de melhor se faz a nível de moda. Trabalhamos todos os dias nesse sentido e muitas novidades já vêm a caminho. A inovação e a procura são permanentes. Em breve, daremos conta… Muito em breve, haverá também novidades de renovação nas áreas comerciais que, temos a certeza, farão o agrado dos nossos clientes.

Como surgiu a ideia de investir em África?

A Loja das Meias investiu em África com um conceito muito inovador. É, sem dúvida um mercado a ter em consideração, por ser um público informado e apreciador do luxo e da moda.

Abrir uma loja em Angola é uma possibilidade?

A Loja das Meias está sempre atenta a novas oportunidades e disponível para avaliar novos projetos. Temos muitos clientes angolanos que procuram nas nossas lojas as marcas de luxo que temos para oferecer. São clientes requintados e conhecedores do melhor que se faz no mundo da moda. O atendimento é personalizado em qualquer ponto de venda, o que também é muito apreciado.

Os vários pontos de venda da Loja das Meias têm sido renovados nos últimos anos para se tornarem mais “tecnológicos”. O que apresentam de mais inovador?

Todas as lojas sofreram a renovação tecnológica. Atualmente, a digitalização faz parte do nosso dia a dia, assim como de toda a equipa. A formação das equipas é permanente e a comunicação é diária com as cinco lojas. O contacto com os clientes também é permanente e feito de forma digital mas também pessoal, pois o mais importante são as pessoas, os clientes.

Desde a primeira Loja das Meias, gerida pelo seu bisavô no Rossio, já passaram cem anos. Qual é o segredo para manter um negócio centenário rentável?

Muito trabalho, rigor, perseverança e muita paixão.

Como vê o futuro da moda e, em particular, da moda do segmento de luxo?

O futuro da moda e, em particular, no segmento de luxo será muito positivo. Será um desafio permanente, com muitas inovações e em constante mudança, mas que tocará sempre no desejo de cada cliente e o fará sonhar e fazer feliz. 

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