As marcas de luxo pioneiras na moda sustentável

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Stella McCartney - Jeans stretch biodegráveis (2)
Stella McCartney - Jeans stretch biodegráveis
Nona Source - LVMH
CHLOÉ - Black Lou braided recycled cotton-blend platform sandals
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Provavelmente já deve ter ouvido falar em moda sustentável, um assunto importante que tem adquirido cada vez mais espaço no mundo da moda. A indústria da moda é uma das que mais cresce anualmente, contudo, vem acompanhada de efeitos negativos para o meio ambiente. De acordo com a Environmental Protection Agency, é uma das quatro indústrias mais poluentes e que consomem recursos naturais. Este mercado tem consequências negativas como o excessivo desperdício de água e tecidos, emissões de carbono na atmosfera e descargas no solo sanitário.

Também conhecida como eco fashion, a moda sustentável respeita uma série de processos para que a sua produção auxilie a preservação do meio ambiente. A sustentabilidade é uma das maiores preocupações das empresas e dos consumidores, sendo, portanto, um fator influenciador direto nas vendas, já que o consumidor está mais consciente e preocupado com a origem das matérias-primas e com os processos de fabrico.

Um design, conceito único e qualidade absurda não faz uma de uma marca, incrível. É essencial pensar na forma que o produto vai influenciar o meio ambiente, a sociedade, os produtores, os parceiros até ao cliente final. Todos estes aspetos fazem uma marca ser, de facto, incrível. As marcas de luxo também começaram a adotar um pensamento e ato mais consciente, mas quais foram realmente as pioneiras a praticar moda mais sustentável?

Stella McCartney

Quando se fala na sustentabilidade em marcas de luxo, surge de imediato a marca Stella McCartney, foi uma das pioneiras marcas de luxo a eliminar por completo o uso de pele, couro e penas de animais nas suas produções. Atualmente, todos os produtos são criados à base de tecidos sustentáveis, como o algodão 100% orgânico, o couro ecológico, o poliéster reciclável e o náilon. A marca tem também parceria com a Parley For The Oceans – organização que mobiliza figuras públicas e marcas conceituadas a favor da limpeza dos oceanos e da sua preservação, trazendo maior consciencialização ecológica e de consumo. Em virtude desta parceria, surgiram os ténis a partir de resíduos de plásticos retirados do mar. Em janeiro de 2020 a marca apresentou ao público os primeiros jeans stretch biodegradável do mundo. É, portanto, indubitavelmente, uma marca que preza pelo meio ambiente.

Gucci

A Gucci foi também uma das marcas de luxo pioneiras a adotar medidas sustentáveis. No ano de 2019, declarou que iria atuar em prol da compensação de todas as suas emissões de gases de efeito de estufa, apostando na redução de carbono e tornando-se carbon free. Para além disso, a Gucci apoia projetos de conservação florestal em Países em Desenvolvimento (PED), através do REDD+, uma iniciativa internacional desenvolvida pela UNFCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima). Em 2020, a coleção cápsula Gucci Off The Grid foi caraterizada por vestuário agenderless – que não possuem género – e acessórios desportivos produzidos com materiais reciclados, orgânicos e base biológica. A coleção foi inovadora ao ponto de até os mínimos detalhes, como o cordão de um casaco, terem sido feitos de poliéster reciclado. Off The Grid faz parte da iniciativa denominada Gucci Circular Lines, projetada pelo Diretor Criativo Alessandro Michele, que pretende usar os materiais têxteis regenerados.

LVMH

O grupo conceituado LVMH inaugurou em 2021 uma plataforma para revender tecidos excedentes de marcas de alta costura. O objetivo é encontrar um destino para o dead stock, diminuindo o descarte de materiais, aumentando o seu aproveitamento. A plataforma Nona Source comercializa tecidos, couro e renda a preços competitivos. As marcas que cedem os materiais continuam anónimas, e os produtos são identificados como “excedentes de uma Maison de Couture francesa”. A Nona Source não vende vestuário com logótipos, o que auxilia o anonimato. Na plataforma, é possível comprar “sobras” de produtos de marcas de luxo como Dior, Louis Vuitton e Givenchy. Name a better duo: tecidos de alta qualidade a preços acessíveis! Não esquecendo que é uma grande ajuda para o meio ambiente.

Chloé

É a primeira marca de luxo a ganhar o selo de sustentabilidade. As mudanças em virtude da sustentabilidade intensificaram-se após a chegada de Gabriela Hearst, Diretora Criativa, em 2020. Na coleção de verão 2022, 55% dos produtos foram produzidos com materiais cujo impacto é reduzido na natureza. Os metais amarrados nas pontas das franjas de alguns vestidos, por exemplo, foram reaproveitados do dead stock da marca. Para substituir o algodão, os forros das carteiras foram substituídos por linho, dado que o seu cultivo emite menos gases de efeito de estufa e a sua produção exige uma menor quantidade de água. A Chloé tem também parceria com a organização Mifuko, que visa garantir melhores salários para possibilitar a independência financeira dos artesãos no Quénia. No calçado, os modelos da linha Chloé Lou, têm as solas feitas a partir de upcycling de sandálias retiradas dos oceanos.

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