Motivação: ter ou não ter, eis a questão

Se lhe falta motivação, a primeira ideia a erradicar é a de que ela surge do nada. A motivação é como um músculo, quanto mais se treinar, mais ela cresce. Há dias em que a paciência é pouca e da vontade nem se fala. Há dias em que pura e simplesmente não apetece mexer nem um dedo que seja. É o que eu chamo “os dias de gato” – ficar estendido, simplesmente a existir. Qualquer músculo precisa de descanso para recuperar, é verdade. Mas isso não pode ser desculpa para continuar a procrastinar vezes sem conta. Feitas as contas, a única coisa que estamos a fazer é adiar a saúde da pessoa mais importante na nossa vida – nós próprios. A pandemia serviu para grandes reflexões para alguns; para outros, foi apenas uma pausa na correria diária. Mas será que vale a pena correr para todo o lado menos na direção da saúde? Diz a sabedoria popular que, “com saúde, faz-se tudo, sem ela, não se faz nada”. E, se cuidar do corpo não é motivação suficiente, pense igualmente na sua saúde mental.

Fazer exercício físico é uma das ferramentas mais importantes para o bem-estar do seu cérebro. Estudos científicos comprovam, inclusivamente, que é um fator essencial para retardar o envelhecimento deste órgão que tem tanto de complexo como de misterioso. O nosso cérebro mantém-se jovem durante mais tempo se estiver exposto a estímulos de forma consistente. Ajuda muito ler e escrever à mão, por exemplo. Parece que já estou a ouvir “Escrever à mão? Com papel e caneta? Mas eu não faço isso desde que o meu filho nasceu… em 1990”; “Dá muito trabalho”; “Isso ainda se usa? Eu já nem cheques assino”. Por mais estranho que pareça, o simples ato de escrever à mão ajuda a estimular áreas do cérebro que são importantes para a memória se manter saudável. Se a isso juntarmos o exercício físico, não digo que vamos todos ficar com um cérebro à prova de bala, mas vamos conseguir prolongar mais a nossa saúde. Tendo em conta que a esperança de vida tem vindo a aumentar, quem é que não gostaria de manter o seu cérebro “novo” (tanto quanto possível), mesmo já fazendo parte da categoria dos “entradotes”?

“O que é que isto tem que ver com motivação?”, poderão perguntar-se. Tudo! A motivação, tal como o cérebro, precisa de estímulos. Se nunca for treinada, descontrola-se e deixa de se desenvolver. Com o passar do tempo, é a nossa saúde que atrofia. Se precisa de mais uma ajuda para começar a exercitar a sua motivação, pense no que os assistentes de bordo dizem sempre que viajamos de avião: “primeiro coloque a sua máscara de oxigénio e só depois ajude os outros passageiros a colocarem a deles”. Precisamos de cuidar de nós primeiro para podermos cuidar dos outros depois. Não é necessário ter, no entanto, pressa; o mais importante é a consistência.

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