Malhadinha marca presença no almoço de setembro do F Club

Rita Soares, a administradora e fundadora do projeto Malhadinha, que já tivemos o privilégio de entrevistar, será uma das mulheres empresárias, e mente criativa, presentes no almoço de setembro do F Club, já no próximo dia 23, no Restaurante Eleven (Lisboa). O projeto familiar da Malhadinha, nome incontornável no panorama dos vinhos e da hotelaria em Portugal, será um dos parceiros deste almoço, com a degustação do aclamado Monte da Peceguina, entre outras surpresas. A seguir, um pouco da história apaixonante deste projeto familiar, com honras de capa em várias revistas nacionais e internacionais.

Casa Ancoradouro; fotografia de Alexander Bogorodskiy
Rita Soares
Herdade da Malhadinha Nova; fotografia de Frederic du Cout
Casa do Ancoradouro; fotografia de João Guimarães
Herdade da Malhadinha Nova; fotografia de João Guimarães
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Passaram mais de vinte anos desde que em, 1998, a Família Soares concretizou o início de um sonho que viria a revelar-se a jornada de uma vida. Maria Antónia Soares, o marido João Soares, os filhos, Paulo e João e Rita Soares, mulher de João, dominavam um negócio consistente, criado em 1983 por Maria Antónia e o marido: a Garrafeira Soares – com sede no Algarve, a garrafeira dispõe de 26 lojas na região, e ainda uma no Porto, e é responsável pela distribuição das principais marcas de vinhos nacionais.

A PRIMEIRA VINHA

A geração seguinte, os filhos Rita, João e Paulo, para quem a necessidade de ir mais além, e avançar para a vertente da produção do vinho, era premente, iniciaram a busca por um terreno onde pudessem plantar a sua primeira vinha. A vertente hoteleira ainda não estava no seu horizonte, mas o futuro reservava-lhes a realização de mais um sonho – e a Malhadinha revelar-se-ia, em breve, um paraíso alentejano.

Após a aquisição da herdade, em 1998, foi a primeira filha de Rita e João, Francisca, quem plantou a primeira vinha, em 2001*. A adega foi projetada primeiro na ruína, onde acabou por ficar a casa de família, mas acabou por se erguer mesmo em frente. A Rita, João e Paulo juntou-se, mais tarde, Margaret, esposa deste último. Todos partilham a gestão e admnistração de todo o projeto, mas cada um absorveu diferentes tarefas naturais. Rita Soares, dá a cara pelo projeto, sendo responsável pela comunicação, marketing e pelo design de interiores de todas as unidades hoteleiras. Ao marido, João Soares, cabe a gestão da produção vitivinícola, a vertente agro-pecuária e a construção; ao irmão Paulo, cabe a área tecnológica e financeira. Margaret dedica-se à investigação científica na área da vinha e do vinho.

Os filhos dos dois casais desenham todos os rótulos dos vinhos Malhadinha Nova

Mas esta não é a única geração a dar alma ao negócio. Os filhos dos dois casais desenham todos os rótulos dos vinhos Malhadinha Nova. O primeiro esboço coube à primeira filha de João e Rita, a Francisca, que esboçou um cacho de uvas; mais tarde surgiu a famosa vaca malhada, desenhada pela segunda filha, Matilde, seguiram-se os irmãos e os primos, todos responsáveis por vários rótulos, diferentes a cada ano.

Foi ao vinho, à agricultura e aos animais que a família se dedicou durante uma década. Em 2008 surge a primeira unidade hoteleira, com a reconstrução da casa original, transformada em Malhadinha Country House & Spa. Nesse mesmo ano, aos 200 hectares já existentes foram adicionados mais 250 hectares com a aquisição da contígua Herdade do Ancoradouro.

O restaurante junto à adega abriu em 2007 e é este edifício que dá às boas-vindas aos visitantes. Dez anos mais tarde, começou a construção das novas unidades hoteleiras, espalhadas pela propriedade e recuperadas a partir de ruínas recheadas de histórias que Rita Soares, em conjunto com a arquiteta Joana Raposo, quis preservar e homenagear. Nasceram assim a Casa do Ancoradouro, Casa das Pedras, Casa das Artes e Ofícios e a Casa da Ribeira, abertas em fevereiro de 2020. Quase dois anos antes, já a Venda Grande, uma casa na aldeia, a cinco quilómetros da propriedade tinha sido recuperada e passado a pertencer à oferta de alojamento do projeto.

*OS VINHOS E A HISTÓRIA DE FAMÍLIA

Em 2001 são plantados os primeiros 20 hectares. Coube aos filhos, à Francisca que nasceu em 1998, a honra de plantar a primeira cepa da vinha e desenhar o primeiro rótulo. Uma tradição que ainda hoje se mantém e através da qual todos os vinhos ganham o nome de batismo de quem os desenha. Este foi apenas o ponto de partida de um vinhedo cuja extensão atual atinge os 80 hectares.

Foram selecionadas as castas a plantar, que produzissem pouca quantidade e que transmitissem o perfil da região, mas também algumas internacionais reconhecidas pela sua qualidade. Nas uvas tintas há Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Miúda, Trincadeira, Aragonês, Alicante Boushet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Baga. Nas uvas Brancas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Chardonnay, Verdelho, Viognier, Petit Manseng, Alvarinho, Encruzado, Viosinho**.

O foco na qualidade foi desde o início uma condição inegociável: “Ainda tenho as folhas quadriculadas onde idealizei as alçadas da adega, que construí com a ajuda de um engenheiro de Beja”, revela João Soares. A entrada no mercado surge no início de 2004, com o lançamento da linha Monte da Peceguina, cujo nome homenageia a “Peceguina Velha”, uma das casas existentes na propriedade.

Monte da Peceguina Tinto, Branco e Rosé e Malhadinha Tinto, Rosé e Branco são os alicerces da marca, os primeiros mais frescos, os segundos mais complexos, com envelhecimento em barricas de carvalho francês. Seguem-se os Monovarietais nos anos que a natureza assim o dita. Nos tintos o Aragonez e Touriga Nacional, nos brancos o Antão Vaz, Verdelho e Arinto. Por fim, as edições especiais que saem para o mercado apenas em anos de excelente vindima: Pequeno João, Menino António e MM Malhadinha e e Marias da Malhadinha, o topo de gama.

Toda a magia acontece na vinha. O facto de se produzir metade da capacidade que estaria ao seu alcance revela o cuidado de assegurar que apenas a melhor fruta chega à adega. As uvas viajam à mão, em cestos de 12 kg e, por ano, entram na adega 400.000 kg de uva. Incrustada em terreno desnivelado, retira partido da natural gravidade. No lagar, o pé humano esmaga a uva pelo método tra- dicional. A fermentação da uva faz-se com tempo, para extrair os melhores aromas. O repouso é feito nas melhores barricas de carvalho francês. Luís Duarte, enólogo consultor, e Nuno Gonzalez, enólogo residente, são os homens por detrás do vinho. “Quando visitou o terreno logo no primeiro ano, não havia nem vinha, nem adega, só ruínas”, relembra João Soares, referindo-se a Luís Duarte, com largas provas dadas no Esporão e considerado o enólogo do ano em Portugal em 1997, 2007 e 2014, bem como condecorado em 2015 personalidade ligada ao vinho. Amigo da família Soares e com fortes ligações à Herdade da Malhadinha Nova desde o início, são da sua responsabilidade todos os vinhos da marca.
Por seu turno, Nuno Gonzalez, enólogo residente e eeleito Enólogo Revelação de 2017 pela Revista de Vinhos, viajou pelo Novo Mundo – Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos da América e aterrou em Itália, na região da Toscânia, países onde bebeu toda a sua inspiração na arte de fazer o vinho. O regresso a Portugal surge pela porta da Niepoort, Cortes de Cima e José Maria da Fonseca. Hoje é o autor dos vinhos que nascem na Malhadinha Nova, fazendo o blend das castas indígenas com outras de outras paragens.

“Queremos joaninhas, aranhas, bicharocos de todo o tipo. É um investimento que torna a vinha mais rica e complexa, o que se reflete na autenticidade dos nossos vinhos”

AGRICULTURA BIOLÓGICA

A agricultura praticada é biológica, sustentável e extensiva. Sustentabilidade ambiental, extensível ao domínio social e económico, que está na génese da plantação da vinha e ocupa o topo das prioridades do projeto agrícola. Uma vinha que se insere no terroir, respeita e integra-se no ecossistema e na biodiversidade. “Queremos joaninhas, aranhas, bicharocos de todo o tipo. É um investimento que torna a vinha mais rica e complexa, o que se reflete na autenticidade dos nossos vinhos”, explica João Soares.

Na propriedade existem cinco barragens para acumulação de água das chuvas, estações meteorológicas que permitem monotorizar o correto crescimento da planta, sondas de humidade que ajudam a gerir o nível de stress hídrico por forma a maximizar a qualidade. Uma das apostas na viticultura é também os corredores biológicos estrategicamente plantados permitem atrair uma maior diversidade de fauna auxiliar que ajuda a combater os inimigos da vinha, evitan- do assim a recurso a tratamentos artificiais. Em setembro de 2015 foi inaugurada a loja na adega, onde os clientes e hóspedes podem comprar vinhos, mel, azeite, experimentar raridades e fazer provas de diversas categorias.

VIOSINHO É O NOVO LANÇAMENTO DE 2021

Maio deste ano marcou um momento de mudança na Herdade da Malhadinha Nova. Foram apresentados ao público e clientes a nova fase do projeto, através de uma nova imagem que reflita os valores da empresa e compromisso de futuro rumo à autossuficiência e foco na sustentabilidade. A par das redes sociais e do site, assim como todos os materiais físicos da herdade, também os rótulos mudaram, mas a assinatura de duas décadas, os desenhos das gerações mais novas da família Soares, estes mantêm-se. E ainda bem! Em 2020, a empresa recebeu a certificação biológica, para a qual trabalhou nos anos anteriores, e este novo vinho, 100% Viosinho, engarrafado em maio deste ano, já faz parte desta nova abordagem à viticultura. No rótulo, a Benedita desenhou uma abetarda, espécie protegida da região, inserida no tema deste ano, a avifauna autóctone. Esta primeira edição do Viosinho da Malhadinha tem notas minerais e florais. Na boca é equilibrado por acidez fina e cortante que torna o vinho muito elegante e difícil de resistir.

SOBRE RITA SOARES

A administradora e fundadora do projeto Malhadinha, em conjunto com a família, tem formação superior na área da Educação e dedicou-se, recentemente, a várias formações no mundo das artes – piano no Conservatório e cerâmica na ARCO. Responsável pela criação e implementação do projeto de turismo experiencial da Malhadinha, as suas funções são muito variadas, “praticamente em todas as áreas da gestão que partilho com o meu marido e com o meu cunhado”, acompanhando com igual paixão a produção de vinho e a sua comercialização, nacional e internacional, bem como toda a dinâmica de imagem e comunicação da Malhadinha.

A estas, soma a criação e o desenvolvimento de todos os projetos de arquitetura de interiores do projeto. Rita Soares, e o projeto Malhadinha, são presenças muito estimadas no almoço de setembro do F Club, a realizar já no próximo dia 23, no Restaurante Eleven, em Lisboa. Rita estará com todas as convidadas e membros do clube empresarial feminino, dando a conhecer alguns dos vinhos da empresa.

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