Casa do Passadiço, a Family Affair

Era uma vez uma casa com um passadiço a unir duas ruas de uma cidade ao norte. E uma rainha que com duas princesas sonhavam tornar mais belo o Mundo, construindo palácios.

Casa do Passadiço, Loja de Braga
Casa do Passadiço, Loja de Lisboa; fotografia: FAD
Casa do Passadiço, Loja de Lisboa; fotografia: FAD
Espaço público; fotografia: FAD
Espaço privado; fotografia: FAD
Espaço privado
Espaço privado
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Conto de fadas? De todo! É mesmo verdade, existem a rainha e as princesas e existe o Passadiço que dá nome à Casa: em 1992, Catarina Rosas abriu um showroom em Braga, chamando-lhe Casa do Passadiço: “No passado, as pessoas transitavam de uma rua para outra através do jardim da Casa do Passadiço, por uma pequena passagem, e daí o seu nome”, desvenda Cláudia Soares Pereira, filha de Catarina, e irmã de Catarina, com quem agora partilha a direção criativa da Casa. As três mulheres são o cerne de uma das mais requisitadas empresas de desenho e arquitetura de interiores nacional; em breves anos, a Casa do Passadiço passou fronteiras, na forma e na geografia, e agora assina espaços privados e públicos em toda a Europa e nos destinos que mais consomem luxo, como Rússia, Dubai, Miami ou Nova Iorque. Mais recentemente, em 2019, o atelier abriu o showroom na Avenida da Liberdade, em Lisboa, o centro comercial “Golden Card” por excelência da capital, ombro a ombro com as marcas mais desejáveis ao nível planetário. O espaço ocupa todo um edifício romântico de 1900, quase que construído há mais de 100 anos a pensar que agora seria o palacete das meninas do Passadiço.

Em tempos do mais que merecido empoderamento feminino, é incontornável perguntar se o desenho de interiores realizado por mulheres é distinto daquele que é feito por homens: “Sim, existem diferenças,” diz-nos Cláudia, “penso que nós, mulheres, damos mais atenção a certos pormenores que podem fazer a grande diferença num ambiente.”

E mais especificamente, podemos constatar um estilo subjacente à obra da Casa do Passadiço? Cláudia confirma, elucidando-nos, com detalhe: “Os nossos projetos são essencialmente intemporais, mas contemporâneos, e discretamente luxuosos. Primamos por ambientes simultaneamente confortáveis, sofisticados e elegantes.”

COMO É DESENHAR O ESPAÇO PARA OUTREM, QUE NÃO PARA NÓS PRÓPRIOS? HÁ ALGUM TRUQUE PARA DEIXAR O CLIENTE PLENAMENTE SATISFEITO, COM A SENSAÇÃO DE QUE AQUELE ESPAÇO É SEU?

Geralmente, o cliente que nos procura sente já grande afinidade com o nosso gosto, identificando-se com os nossos projetos. Essa é logo uma grande vantagem. Temos o privilégio de a maioria dos nossos clientes confiarem muito no nosso trabalho e dar-nos ‘carta branca’, o que, ao contrário do que possa parecer, nos faz sentir ainda mais o peso da responsabilidade de fazermos um trabalho muito cuidadoso. Quanto mais confiam em nós, mais cuidado temos, para nós isso é um dado natural. O resultado final é sempre muito gratificante, ficamos muito felizes quando percebemos que fomos ao encontro dos sonhos dos nossos clientes, muitas vezes antecipando os seus próprios desejos. Afinal, é esse o nosso trabalho, criar espaços de sonho.

EXISTEM CLIENTES QUE FAÇAM QUESTÃO DO USO DE MATÉRIAS E MANUFATURAS NACIONAIS?

Geralmente, os nossos clientes não fazem esse tipo exigência. Mas nós procuramos equilibrar os nossos projetos usando o produto nacional – o nosso fabrico – com peças vintage e contemporâneas das melhores marcas internacionais.

ATÉ QUE PONTO É RELEVANTE O USO DE MANUFATURA E MATÉRIA-PRIMA NACIONAIS?

É muito importante apoiarmos a matéria-prima e mão-de-obra nacional, é nossa preocupação constante privilegiarmos os nossos artesãos: fazemo-lo sempre que fabricamos móveis com nosso desenho, e também nas nossas obras arquiteturais. Mais, levamos a nossa equipa de artesãos para as nossas obras no estrangeiro, desde sempre. A mão de obra portuguesa é de grande qualidade e é um privilégio podermos trabalhar com os nossos talentosos artesãos. Nos projetos públicos, a grande parte da produção é nacional, feita pelos nossos melhores artesãos e ‘exportada’ para todo o mundo.

E PLANOS PARA UM FUTURO BREVE?

Temos um projeto público muito especial, numa zona histórica de Lisboa, que vai totalmente ao encontro do que mais gostamos de fazer, por se inserir num Palácio, cheio de história e arquiteturalmente muito rico; vai ser um projeto onde iremos trabalhar nos próximos três anos com muito gosto. Temos muita vontade de o divulgar, mas não é ainda possível fazê-lo. Vamos aguardar.

Por João Galvão

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