Luísa Peixoto: Portugal tem Alma

A sua relação com o design começa cedo. Aos oito anos já mudava a decoração da casa. Começou por desenhar uma peça de cerâmica, peça entretanto premiada, e hoje é um dos nomes maiores do setor do design e dos interiores em Portugal. A poucos meses de celebrar 25 anos, a marca Luísa Peixoto Design assina a curadoria e a decoração de um espaço nobre, no Porto, a convite da AICEP, a que se juntaram 60 empresas portugueses do setor da casa e construção. A nossa oradora convidada no âmbito do almoço do F Club de julho, em entrevista.

Luísa Peixoto Design
Luósa Peixoto Design
Luísa Peixoto Design
Luísa Peixoto Design
Luísa Peixoto: Made in Portugal Naturally (AICEP)
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Como foi dado o primeiro passo nesta área? Qual foi o primeiro projeto e em que medida se revelou decisivo?

O primeiro projeto foi a concepção de uma peça em cerâmica no final do último ano do curso de Design de Interiores e Mobiliário (1996 ). Esta peça mereceu um prémio numa iniciativa do então ICEP. A peca esteve exposta numa feira em Estocolmo, e este foi o meu primeiro contacto como o mundo profissional. Tratava-se de uma iniciativa muito interessante, pois permitia que os recém-licenciados tivessem uma primeira abordagem ao mundo exterior e com mercado internacional.

Como se descreveria como mulher e profissional?

Sou uma mulher autêntica, apaixonada pelo belo e pela vida. Honestidade e rigor são as bases em que assenta a minha vida e o trabalho que faço diariamente. Dou o meu melhor para satisfazer as necessidades dos clientes.

O que começou primeiro, os projetos de interiores ou o desenho de peças de mobiliário e outras?

Comecei por desenhar pequenos objetos e uma pequena coleção de mobiliário. A premissa era: ser intemporal e de grande qualidade – ainda hoje vendo essa linha de mobiliários. Já lá vão 24 anos, a caminho dos 25, a celebrar já no próximo mês de janeiro. Para mim, o mobiliário tem de ser intemporal e de grande qualidade. O design de interiores é uma atividade mais recente. Aprendi muito com todos os designers de interiores com que me vou cruzando. E como adoro esta atividade, decidi dar-lhe um pouco mais do meu tempo.

Livros, hotéis, residências privadas, mostras… tudo cabe no amplo espetro da marca Luísa Peixoto Design. O que lhe falta fazer?

Desenhar o futuro! Adaptar-me a um futuro exigente e que, por agora, é carregado de incertezas. Quero continuar a conceber lugares / experiências especiais para os meus clientes. Gostava muito de construir uma Casa Museu. Acho que a experiência do craft de luxo na área do mobiliário deveria ser mais divulgada. Gostava de fazer um projeto abrangente, para mostrar o que fiz e o que vai acontecendo no país neste segmento. Assim como incentivar os artesãos a continuarem e a passarem os seus conhecimentos para os mais jovens.

Inicia a internacionalização de Luísa Peixoto Design em 2005. Como foi transpor a fronteira e levar o seu nome e o fruto do seu trabalho e criatividade a outros países?

Foi interessante, pois naquela altura havia uma ou duas empresas que apresentavam mobiliário contemporâneo. Nas feiras, pensavam sempre que eu era italiana, ou brasileira …. Foi muito curioso perceber que ao longo destes anos construiu-se uma imagem deste setor muito positiva. Entretanto, surgiram novas marcas nacionais e Portugal ficou muito bem posicionado neste mercado. E se no início dominava o profundo desconhecimento pelo mobiliário português, nas ultimas participações em feiras já ouvia “só pode ser português”, quando os estrangeiros visitavam os stands de mobiliário nacional. Era uma clara devoção ao made in Portugal.

Este ano celebra 24 anos da marca Luísa Peixoto. O que foi feito, e será́ ainda concretizado, até ao final do ano por ocasião deste momento?

Quero celebrar os 25 anos com novas parcerias artísticas. Gosto imenso de colaborar com artistas. A arte e o design estão intimamente ligados. E um alavanca o outro. Para mim, é a “cereja no topo do bolo”.

Qual diria ser o projeto mais abrangente, e até mais completo ou desafiante que abraçou recentemente?

O projeto Made in Portugal Naturally. A convite da AICEP fiz a curadoria e a decoração de um espaço nobre de 1862 no Porto, onde se juntaram 60 empresas portugueses do setor da casa e construção.

Em que consistiu?

Decorar os vários espaços da casa com produtos de excelência feitos em Portugal. Esta exposição faz parte da campanha internacional que está a ser desenvolvida pela AICEP. Na fileira casa, há uma oferta de grande qualidade e muito diversificada. Convido o leitor a conhecer mais em madeinportugalnaturally.pt. Portugal tem Alma!

Do ponto de vista da interação com os clientes, do que mais gosta?

De explorar novos caminhos, de fazer o que ainda não foi feito, de cruzar experiências. Aqui o lucro emocional é maior.

Uma referência importante no seu percurso profissional é…? Artista, pessoa, família, país, memórias…

Uma memória de infância (oito anos): já mudava a decoração da minha casa. Um dia retirei a carpete da casa toda, e o meu pai ficou estupefacto (estou a ser simpática… ). Como pessoa, julgo que o mais importante é acreditarmos no nosso potencial e nunca desistir de sermos quem somos. Respeitar a nossa essência é primordial, e o resto vem. A família é o nosso pilar, é o nosso amor maior.

Um país onde tem um projeto seu, hotel, comercial ou privado, que ainda hoje faz parte de uma boa lembrança e porquê?

Reino Unido. Adoro Londres, pela sua vibrante energia criativa. Vou lá com frequência, tenho lá vários trabalhos em residências privadas.

O que falta em Portugal para que o design e o design de interiores ganhem mais expressão?

Boa comunicação, persistência e consistência.

Quais as maiores valências e qualidades que Portugal tem em termos de know-how, matérias-primas, saber-fazer?

Portugal é o país ideal para criar no mercado premium. O craft de luxo e a possibilidade de adaptação às necessidades dos clientes é fundamental nesta ára de atividade. E Portugal tem artesãos muito qualificados e sabe fazer bem.

Uma casa ideal para si é…

Um ninho de afetos rodeado de Arte e de objetos equilibrados e “honestos” – isto é, de peças bem desenhadas e com qualidade.

Obrigada! Com Amor, Luísa Peixoto.

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