Gonçalo Narciso dos Santos, diretor-geral do Bela Vista Hotel & SPA

Erguido num palacete do início do século XX, o Bela Vista Hotel & SPA – um dos primeiros hotéis da região do Algarve – é uma referência de luxo associado ao lazer, bem-estar e ícone gastronómico a sul do país. Em entrevista à F Luxury, o seu diretor-geral, Gonçalo Narciso dos Santos.

sala
compressed_BELA_VISTA_VS_POR-18
compressed_BELA_VISTA_VS_POR-15
compressed_BELA_VISTA_VS_POR-12
previous arrow
next arrow

Gonçalo Narciso dos Santos é formado em Gestão Hoteleira, com uma Pós-Graduação em Direção Hoteleira na Universidade do Algarve. O seu percurso profissional teve início quando tinha apenas 16 anos e começou a trabalhar nas férias de verão num hotel no Algarve, como ajudante de bar. Depois desta experiência, seguiu-se o curso de cozinha da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve e respetivos estágios em unidades hoteleiras como os hotéis D. Pedro e Real. Durante três anos, Gonçalo assumiu a função de Sales Executive no Hotel Grande Real Santa Eulália, depois uma breve passagem de, aproximadamente, um ano pelo Tivoli Vitória como Butler & Guest Relations. O Bela Vista Hotel & SPA é a unidade de cinco estrelas de luxo que o acolhe desde 2011, onde Gonçalo começou como Sales & Marketing Manager e Assistant General Manager, depois como Diretor de Operações (2013) e mais recentemente, desde 2015, na qualidade do seu Diretor Geral.

“O verdadeiro luxo hoje, para além de ter tempo, é proporcionar experiências únicas”

Como definiria este hotel e quais as suas principais valências e atrativos?

O Bela Vista Hotel & SPA, construído em 1918 e sendo um dos primeiros hotéis do Algarve, é, por si só, um produto ímpar, único e sobretudo completo nas suas mais variadas vertentes. Um boutique hotel com 38 quartos distribuídos por três edifícios distintos. A sua localização, no topo de uma falésia, com uma vista de 180 graus sobre a icónica Praia da Rocha, permite que 85% dos hóspedes tenham a partir do seu quarto e suíte uma vista desafogada sobre o mar. O BVHS é membro da prestigiada associação de exclusivos Hotéis e Restaurantes, Relais & Châteaux desde 2013. O Hotel conta também com o VISTA Restaurante, com uma estrela Michelin, um SPA da conhecida marca francesa L´Occitane e uma piscina exterior com uma magnífica vista sobre o mar. O BVHS é o local ideal para relaxar e desconectar!

Em que medida o mercado da hotelaria de luxo em Portugal foi prejudicado com a crise pandémica que nos assolou, e ainda assola, e que medidas o Hotel tomou para contrariar esta realidade?

Creio que o mercado de luxo, como qualquer outro mercado ou segmento,  continua a fazer face a grandes dificuldades causadas pela pandemia, que é transversal praticamente a qualquer área ou negócio a nível global. No caso na hotelaria, devemos, a nível nacional e internacional, promover e enaltecer a segurança e tranquilidade do país, mostrar a beleza e facilidades da região e capitalizar o máximo de clientes de cada segmento nos mais variados mercados emissores.

O VISTA restaurante, agraciado com a Estrela Michelin em 2018, 2019 e 2020, e com o Garfo de Ouro Boa Cama, Boa Mesa em 2017, 2018, 2019 e 2020, é um dos ex-libris do Hotel. O que caracteriza a sua oferta no Algarve e em Portugal?

O VISTA Restaurante, desde que abriu, em 2011 sofreu algumas atualizações até que, em 2017, foi galardoado com uma Estrela Michelin, que muito nos honra, bem como com os vários garfos de ouro que têm sido atribuídos, e creio que a partir dessa atura passou a ser uma referência na gastronomia nacional. No VISTA tentamos ao máximo proporcionar uma experiência única a quem nos visita, tentando sempre que os produtos sejam de origem local, de produtores locais e muito focados na sustentabilidade. O nível de qualidade e frescura de cada produto deverá ser a maior possível e evidentemente que o verdadeiro sabor do que se está a degustar deverá prevalecer.

Como é trabalhar o mercado da hotelaria de luxo num país, e numa região, vocacionado para o Turismo? O que nos falta ainda fazer e alcançar?

Creio que a hotelaria de luxo na nossa região, neste caso, em particular, do Algarve, está no caminho certo, mas ainda temos muita margem para crescer e desenvolver neste segmento. Hoje em dia, o luxo, para além do tradicional “ter tempo”, é criar experiências únicas e autênticas que revelem verdadeiramente a identidade da região e de quem recebe. Para além de desejar ficar hospedado num hotel com um elevado padrão de qualidade, onde a atenção ao detalhe é o fator principal, jantar nos melhores restaurantes de assinatura e navegar nos melhores iates ao longo da nossa costa, o cliente quer, ainda, descobrir lugares ainda pouco conhecidos, comer nos restaurantes mais despretensiosos onde sabe que a originalidade, qualidade e sabor prevalecem.

É por isto evidente que existem muitas outras coisas por fazer e a alcançar, mas julgo que o mercado das experiências inovadoras e de perfil local ainda pode ser muito mais desenvolvido. São elas que nos definem e posicionam nos mercados onde queremos estar. Neste segmento, já trabalhamos muito, e cada vez mais, a diversificação de mercados. É nisso que deveremos apostar e capitalizar para a região. Só desta forma, e juntos, poderemos posicionar o Algarve no roteiro da Hotelaria de luxo. Como é evidente, não se pode estar eternamente dependente de um ou dois mercados. Há que diversificar.

Foi nomeado Delegado para Portugal e Espanha da Relais & Châteaux. Em que consiste esta responsabilidade e que novas perspetivas se abrem com esta nomeação?

Aceitei (novembro 2020) a missão de Delegado da Península Ibérica, onde sou o porta-voz e represento os 33 membros (Hotéis e Restaurantes) a qualquer nível, com muito orgulho e honra. Uma das principais responsabilidades prende-se com o apoio a qualquer nível aos membros e, consequentemente, poder debater ideias que daí possam advir junto do board dos diretores, de que também faço parte. Outra das principais missões é o desenvolvimento e prospeção de potenciais novos membros para associação. Posso dizer quer na associação não fazemos procuras ativas por novos membros. Claro que é importante crescer e diversificar o produto, mas deverá ser um produto que tenha a mesma filosofia, produtos que, de alguma forma, se diferenciem e que complementem o portfólio existente. Neste momento julgo que seria importante crescer em Portugal nos Açores e Alentejo. Em Espanha, seria nas região da Andaluzia e nas Canarias.

Onde se vê daqui a cinco anos?

Espero poder continuar a trabalhar nesta indústria de que tanto gosto e contribuir de alguma forma para a diferenciação de produtos no que à sua exclusividade concerne.

De que é feita uma boa liderança?

Creio que uma boa liderança deverá ser, acima de tudo, praticada e promovida através de um bom líder. No meu caso em concreto, considero-me um líder relacional e ascensor, com enfoque nas pessoas e onde promovo o “empowerment” das equipas através da autonomia e responsabilidade, aproveitando assim as habilidades de cada membro. Basicamente, é um processo de coaching integrado onde promovo a aprendizagem contínua, o espírito de serviço e compromisso de todos para alcançarmos os objetivos a que nos propomos. Nesse sentido, creio que uma boa liderança deverá ser uma liderança transformacional focada nas pessoas.

/ Artigos Relacionados

Artigos Relacionados