Luís Sousa Lopes, o fazedor de sonhos

O arquiteto, especialista no esboço e organização de eventos exclusivos, qualquer que seja a sua escala, é hoje um nome incontornável no setor, cuja visão, experiência e talentos criativos são amplamente reconhecidos e requisitados um pouco por todo o mundo. Um mestre no que faz. Um criativo por excelência. E um fazedor de sonhos, para quem o céu está longe de ser o limite.

Fotografia: João Figueiredo
Local: Vidago Palace Hotel Fotografia: Pedro Ferreira Styling: Filipe Carriço Modelos vestidas por Fashion Clinic
Local: Vidago Palace Hotel Fotografia: Pedro Ferreira Styling: Filipe Carriço Modelo vestida por Fashion Clinic
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Luís Sousa Lopes não está nas redes sociais – a não ser nas suas, pessoais – , nem é uma figura mediática. Esta entrevista é, talvez, uma das poucas exceções. Homem de conversa fluida e tom de voz suave, construiu, ao longo dos anos, um projeto sem paralelo no nosso país, e quiçá noutros. Mas o seu nome não é um segredo. Nem hoje para nós, nem para muitos que o procuram pela extraordinária capacidade de transformar em realidade o sonho. O sonho de um dia, às vezes de umas horas. Cristalizado num momento mágico e sempre único. Aqui e fora de portas, um pouco por todo o sul da Europa, mas também no México, no Brasil, em Angola e em tantos outros destinos, Luís Sousa Lopes é o criativo que faz a festa acontecer. É-lhe conhecida a forma como consegue, às vezes em pouco tempo e com um orçamento contido, exceder o esperado com um nível incomparável de inspiração, imaginação e inovação. Fazer parte deste momento especial, para qualquer anfitrião e convidado, é imergir numa aventura. E quem não gosta de uma boa aventura?

Como é que um arquiteto abraça a área dos eventos?

Creio que as duas áreas são muito próximas, são ambas criativas. Mesmo mantendo o meu gabinete de arquitetura, sempre me dediquei aos eventos, aliás até antes da minha licenciatura. E este tempo foi dividido em 80% de eventos e 20% de trabalhos de arquitetura. São processos semelhantes, começamos do scratch, num e noutro gizamos projetos, desenhamos algo que vai tomar forma em breve. Conforme fui ganhando mais experiência, fui pondo de parte os grandes eventos corporativos e abraçando os de cariz particular, e de há uns sete anos a esta parte é a estes que me dedico quase exclusivamente.

Como é que os clientes chegam até alguém cuja presença na Internet é inexistente?

É um facto que não tenho nada meu publicado na Internet, há até quem diga que sou um ghost, porque não divulgo o meu trabalho. Mas também acho que é justamente esta ausência que me torna ainda mais sem qualquer tipo de vaidade. Porque quem me procura já me conhece de outros trabalhos ou vem recomendado. E porque, acima de tudo, nada do que faço se repete. Tudo é criado from scratch. Já fiz parte de grandes eventos – na verdade os maiores algumas vez realizados na Europa, caso de ‘New7Wonders’(As Sete Maravilhas, 2007) no estádio da Luz, onde tive oportunidade de trabalhar com nomes como Neil Armstrong, Hilary Swank ou Ben Kingsley, ou o do ‘Logo Humano’, que juntou mais de 34 mil pessoas (promoção da candidatura portuguesa ao Euro 2004) e integrou o Guiness, e para esses dei entrevistas, dei a cara. Mas nunca divulguei os eventos privados. Por opção minha, mas também porque percebi que os clientes apreciam esta atitude. Trabalho um segmento muito alto e essa discrição é bem aceite. Além disso, acredito que as coisas não precisam de estar na internet para existirem, mesmo quando hoje o mundo pensa o contrário. 

O que separa a sua atividade hoje dos tempos iniciais?

Comecei a descarregar camiões, a carregar caixas… Fazia tudo, mas porque queria estar por dentro de tudo. Sempre fui assim, sempre quis entender de que modo é que as coisas funcionam, até em criança tinha de desmontar os brinquedos para entender os seus mecanismos. E nesse aspeto pouco mudou. Há 26 anos esta era uma área quase inexplorada em Portugal, mas a experiência  somada à minha curiosidade natural e à vontade de fazer sempre mais e melhor conduziram-me até aqui. Trabalhei sempre com e para empresas, integrei equipas em grandes projetos, a nível europeu e internacional, e em paralelo com a minha atividade de arquiteto, especializei-me, desde há cerca de sete anos, em projetos privados, eventos muito particulares, de grande, média ou pequena dimensão, mas sempre únicos, sempre feitos à medida. Nunca repito processos e cenários nestes eventos e raramente o faço nos corporativos.

Como é planear um evento?

Começo quase sempre por ter um timeline apertado, sobretudo quando se trata de clientes que já conhecem o meu trabalho.  O cliente liga-me um mês ou dois antes da data, temos uma reunião sempre pessoal, com exceção nestes tempos de pandemia, que nos privaram dessa contacto presencial, é-me fornecido o briefing e o valor disponível para a concretização do projeto. E nalguns casos são verdadeiros desafios, difíceis de executar, tanto ao nível do que é desejado e pedido como ao nível financeiro. Mas como para mim não há impossíveis, e o céu não é o limite, vamos sempre mais além. Já planeei festas de batizado, casamentos ou aniversários a partir de um espaço vazio ou de um relvado de futebol e transformei-os em cenários mágicos, com florestas, lagos, árvores de 18 metros de envergadura, jardins labirínticos… Desenho tudo. Do conceito às estruturas, do ‘save the date’ às pautas de entrada e saída dos artistas, dos bordados dos guardanapos às roupas dos bailarinos. Layouts, convites, mobiliário, estruturas, animação… tudo passa por mim e pela minha equipa. Não há nada onde eu não esteja envolvido porque só assim o meu cliente consegue usufruir do seu evento em pleno. São eventos chave-na-mão, do princípio ao fim. Por que é isso que levamos daqui, é a vivência, a experiência. E a pandemia mostrou isso. As pessoas vão dar muito mais importância às celebrações, à partilha de momentos especiais. Porque hoje uma festa pode ser a última por muitos meses. Já nada é dado como garantido. As coisas são hoje muito mais efémeras.

Quantos grandes eventos organiza hoje por ano?

Não mais do que quatro ou cinco. Dedico-me de alma e coração. Tudo é validado por mim, tenho de ver todas as variáveis. Os meus clientes merecem toda a minha atenção e dedicação. Quando me ligam, tenho de estar disponível. E muitos deles fazem-nos depois da hora do trabalho, e estamos ao telefone duas, três horas, as que forem necessárias, a rever tudo, a ultimar detalhes. Percebi, há uns anos, que se não estiver sempre presente em cada etapa do trabalho o resultado pode não ser o idealizado. E neste negócio todos os pormenores contam. Costumo dizer que a minha dedicação é hoje de 120%.  

Qual será o próximo grande evento privado a realizar ainda este ano?

Vai ser no sul de Espanha, se a pandemia nos permitir.

Que aspetos da personalidade, experiências e skills considera serem fundamentais para um organizador de eventos do seu nível?

Acima de tudo ser louco, ou pelo menos ter uma certa dose de loucura, não ter medo de arriscar. Entender todos os processos, tê-los desempenhado antes. Dominar muitas áreas e tentar aprender com tudo e com quem nos rodeia, todos os dias, e, claro, saber ouvir.

Que tipo de ferramentas usa para estar a par das tendências e novidades do setor?

É segredo, mas considero fundamental viajar e ler.

Como é que se prepara para a reunião de kickoff?

Estudo o briefing do projeto e traço o perfil do meu cliente, gostos, expectativas, o que quer proporcionar aos seus convidados, entre tantos aspetos. Mas antes de iniciar o projeto, tudo começa com um telefonema, seguido, em regra, de uma viagem. Encontro-me com o cliente onde quer que ele esteja, em qualquer parte do mundo, para ouvi-lo e poder mostrar os trabalhos realizados pessoalmente, para assim entender que tudo é possível, que para mim é fácil transformar um campo de ‘batatas’ num local de sonho, como, por exemplo, construir um lago com 3000m2 de água e aí colocar uma estrutura temporária envolta em vegetação ou recriar um castelo ou ainda plantar 22.000 rosas brancas iluminadas (porque essa era um sonho da cliente) e dois dias depois já não existe nada.

Em que medida a família e amigos mais próximos são fundamentais para alguém com a sua agenda e tipo de atividade?

É mesmo muito importante o apoio familiar. São muitas horas/dias /semanas  sem dormir, a quebrar barreiras do impossível e ou a família entende o que fazemos e porque o fazemos ou será complicado. E eu tenho muita sorte, eles dão-me muito apoio. Por seu turno, os amigos são o meu escape.

Há algum tipo de evento que considere particularmente interessante e nunca tenha tipo oportunidade de desenhar?

Sim, o Met Gala de Nova Iorque. 

Um país onde nunca tenha feito um evento, mas que está no seu radar.

O Líbano.

Um sonho por realizar

Tenho a sorte de os ter realizado quase todos, mas a vida não para de surpreender. Um deles já não é possível nesta vida, ter conhecido o Walt Disney.

Por Isabel Figueiredo

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