Spas, fontes da Juventude

Estes são lugares onde o tempo pode mesmo voltar atrás e a Humanidade sabe-o pelo menos há 3.500 anos. O uso de águas minerais, lamas e massagens, mais do que agradável, é fonte de saúde e interceptor da passagem inexorável do tempo.

Green T. House - Pequim, China
Cağaloğlu Hamami - Istambul, Turquia. A sala quente, o banho turco como imaginámos, intocado desde o século XVIII.
Piscina central do La Mamounia, toda uma fonte de inspiração para um espaço marroquino: pastilha de vidro, azulejo, azul e ouro, arcos em ferradura e lanternas de latão perfurado
Blue Lagoon - Grindavík, Islândia. A paisagem lunar (se a Lua tivesse água) do Blue Lagoon, onde a neblina, provocada pelo desequilíbrio térmico entre o ar gelado e as águas quentes, é uma constante
A sala principal do Liquidrom, com a característica abóbada e arcos rebaixados, com claraboia central
The St. Regis – Lhasa, Tibete. O exterior do Iridium Spa, refletido por espelho d’água artificial, arquitetado como as casas locais tradicionais, em materiais contemporâneos
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Escolhemos a nata dos Spas ao redor do mundo, em todas as variações disponíveis, desde o sanatório chique no topo da montanha mais longínqua,  até ao estabelecimento em rua urbana ao lado de um supermercado, para uma escapadela à hora de almoço. Em comum, e antes do mais, a  boa arquitetura e a decoração, estas são também alimento para o espírito, e os olhos são os primeiros a sentir

1. Green T. House – Pequim, China

Imagine um lago interior (seria simplista chamar-lhe piscina), imóvel como um espelho, cheio não de simples água mas de chá. Esta é a imagem de marca com que JinR – artista, designer, música, estudiosa de chás e trendsetter – cunhou a Green T., de forma tão eficaz que a revista Wallpaper a votou ‘Best Spa Design’ em 2010. O espaço recria um pavilhão imperial dos tempos da dinastia Tang, longilíneo e integrado na paisagem dos arredores de Pequim, mas em materiais modernos e com arquitetura contemporânea. Mais do que um espaço datado, o que JinR pretendeu aqui foi encontrar um lugar para experimentar “um estilo de vida assinado, um mundo para cuidar do corpo, da mente e da alma, pelos sentidos e sensualidades”. A par dos cuidados de Spa, todo o desenho espacial encaminha o visitante para uma imersão total, não só numa piscina de chá verde, mas também em todos os grandes pormenores como a cozinha cuidada, tradicional, sim, mas reinventada  e sempre com o chá como pano de fundo.

2. Cağaloğlu Hamami – Istambul, Turquia

Se tem na cabeça uma imagem pré-formatada de banhos turcos, com sultões e odaliscas em palácios orientais, esta é a sua concretização. Existe desde 1741 e foi o último da sua classe a ser construído antes que o Sultão Mustafa III tivesse proibido este tipo de edifícios, por consumirem demasiadas água e lenha, necessárias ao bom  funcionamento da cidade. É composto por duas grandes áreas, uma fria e outra quente, um verdadeiro banho turco, rodeado por uma colunata e coberto por uma abóbada estrelada. Toda a estrutura leva já três séculos orgulhosamente sem restaurações, certamente razão para que se sinta ali como num hamam tradicional na antiguidade. A decoração arquitetónica é, por vezes, levemente barroca, caso raro na arquitetura Otomana, onde todo o excesso decorativo era considerado pecado.

3. La Mamounia – Marraquexe, Marrocos

Em funcionamento desde 1923, o Mamounia tem sido uma espécie de Rick’s Café do filme Casablanca, onde se encontraram ao longo dos tempos cabeças coroadas e artistas de cinema, que buscavam em Marrocos o exótico distante mais próximo de casa. A arquitetura e a decoração são ostensiva e assumidamente luxuosas, para satisfazer os apetites dos visitantes que têm nos imaginários este filme preconcebido do esplendor das Arábias. Para além deste palácio made-on-purpose, o complexo situa-se no coração de um parque ajardinado belo como só os povos que sempre viveram sem abundância de água conseguem gizar; o paraíso árabe é antes do mais um jardim assim, onde pomares ordenados alternam com flores fragrantes e  fontes cantam refrescando o ar. O Spa tem cerca de 2.500m2 e receitas termais tão mágicas e requintadas quanto os espaços.

4. Blue Lagoon – Grindavík, Islândia

Este Spa é um derivativo bem vindo da construção de uma usina geotermal, em 1976, uma das muitas que põem a Islândia fora das lutas pelo petróleo que afligem o resto do mundo. Cedo, mal acabada a usina, os locais começaram a banhar-se nas águas quentes que jorravam do chão e que não entravam na produção de energia. Tornou-se também costume esfregar na pele as lamas cinzentas de sílica, ricas em nutrientes, e em pouco tempo os utilizadores espontâneos que viviam há muito com lesões na pele, como a psoríase, constataram claras melhoras. O processo evoluiu e a Blue Lagoon tem já uma marca de produtos, desenvolvida via biotecnologia e estudos no ramo da  cosmética marinha. As águas e lamas miraculosas, juntamente com a paisagem, esplendorosamente desolada como um planeta desconhecido, fazem da Blue Lagoon um SPA único no mundo.

5. Liquidrom – Berlim, Alemanha

Este é um dos tais Spas onde se vai à hora de almoço, no centro de uma cidade cosmopolita. O coração do complexo é uma vasta piscina abobadada como um templo pós-moderno, em betão cru, numa baixa curva encimada por uma claraboia que deixa entrar alguma pouca luz natural. A restante iluminação foi desenhada para não ofuscar a da claraboia, sublinhando os arcos que sustêm a abóbada. A água é salgada artificialmente e aquecida, perfeita para boiar com os ouvidos sob a linha d’água, ouvindo a música subaquática, intercalada com cantos de baleias. À volta desta larga piscina escurecida o Liquidrom tem também saunas e banhos turcos, bem como gabinetes de tratamentos específicos, como massagens indianas Abhyanga ou herbais do Bali, para além das já clássicas, mas muito eficazes, massagens com pedras quentes ou óleos aromáticos. É comum músicos e Dj’s convidados atuarem no espaço enquanto funciona como um Spa normal.

6. The St. Regis – Lhasa, Tibete

Se existe um destino exótico, é este. Um palácio mágico no teto do mundo, construído para abrigar uma preciosa piscina forrada a ouro de 24 quilates, sob um teto de madeiras aromáticas e guardada por um dragão vigilante, em bronze e madrepérola. Lindo, não é? E possível, existe mesmo, é um cenário de filme mas bem real. O Spa do complexo turístico do St. Regis – apropriadamente chamado Iridium – acolhe os visitantes na tradicional beleza e serenidade típicas da cultura tibetana. Da delicada manufatura da decoração aos tratamentos herbais, toda a filosofia do espaço resulta num santuário do bem-estar. O Iridium é rodeado por um Jardim da Meditação, que continua no exterior o espírito do Spa: equilíbrio, contemplação e paz interior. Cada visitante é recebido com uma consulta prévia que servirá depois para gizar qual a forma como melhor usufruir do espaço; seja qual a for a sua terapia recomendada, imperdível será uma visita à piscina Energia Dourada, de água termal aquecida, com vista para o Palácio Himalaya.

Por João GS

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