Grécia, sonho de uma tarde de verão

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A Grécia é, verdadeiramente, um destino de sonho. Sonhamos com as suas ilhas, enseadas e águas cristalinas. Com as pequenas aldeias pintadas de várias cores, as das flores que decoram os beirais, as das fachadas ocre, rosa, de pedra natural ou brancas, as das portadas de madeira num azul a que nos habituámos chamar ‘azul Grécia’… Sonhamos com os seus pequenos portos e a policromia dos barcos dos pescadores, com a moldura de esplanadas dos vários cafés e restaurantes, dos seus toldos riscados e cadeiras de palha. Sonhamos com um estilo de vida laid-back, de chinelas de couro feitas à mão, sem horas nem compromissos, e na amálgama de gentes. Mas também com as suas gentes, de sorriso franco e temperamento animado. Sonhamos com um copo de vinho branco gelado sentados a observar quem chega no veleiro que ancorou, com o peixe fresco, as azeitonas gordas e o tzatziki, o pão macio e o bom azeite.
Materializar este sonho é fácil, se soubermos traçar a nossa rota antecipadamente. E dependendo do meio de deslocação escolhido, as hipóteses de conhecer uma Grécia menos conhecida afiguram-se tentadoras, e o leque de possibilidades abre-se.

TERRA FIRME

Há muito mais para além das ilhas gregas. O continente oferece várias opções para umas férias no Mediterrâneo, com aldeias de pescadores, castelos e igrejas, antigas vilas fortificadas e cidades de pequena dimensão, com tantos atrativos. O património arqueológico da Grécia merece ser visto, a sua cultura conhecida e o seu litoral usufruído sem pressas. Dos templos clássicos às cidades romanas, dos mosteiros bizantinos e castelos às numerosas vilas típicas, não faltam predicados para umas férias clássicas. E quase sempre com o mar por perto.

Atenas

É a capital do país e, para a maioria, a primeira paragem. Tanto para os que decidem percorrer parte da Grécia por terra como para os que têm um barco à sua espera no porto. Atenas é, por isso, um dos primeiros destinos e merece ser conhecida, nem que seja brevemente, se o calendário de férias for curto. Com mais de meio milhão de habitantes, concentra as suas principais atrações num perímetro facilmente alcançável a pé. É uma cidade segura, embora possa parecer caótica ao primeiro olhar. São indispensáveis as visitas à Acrópole, ao Templo do Partenon e um passeio pelo centro, Plaka, farto em esplanadas. Para dormir, fazer compras e jantar, gostamos de ficar mais longe desta agitação. A nossa escolha vai para Kolonaki, um bairro luxuoso, conhecido pelas boutiques elegantes, restaurantes sofisticados e belos cafés. Além disso, fica ao lado do Monte Lycabettus, e daqui avistamos a Acrópole, os barcos que partem do Pireu, o mar Egeu e, em dias de céu descoberto, as ilhas ao fundo e as montanhas do Peloponeso. 

Napflio

Nem mesmo com a transferência de poderes para Atenas – foi a capital da Grécia, depois da sua libertação, em 1821 –, esta cidade romântica e bela perdeu o fôlego. Pelo contrário, desenvolveu-se até aos dias de hoje dando lugar a um destino sofisticado e é um porto seguro para quem procura uma cidade cosmopolita, elegante e extraordinariamente bem organizada. Vale a pena conhecer em detalhe cada uma das suas ruas e praças, demorar-se numa esplanada de manhã, com um livro e um frappé gelado, descobrir as lojas de extremo bom gosto, jantar na rua debaixo de uma árvore florida. Uma das suas maiores qualidades? O seu visual, com base num style guide elegante, transversal às lojas, bares, restaurantes…,  as fachadas dos edifícios bem recuperadas e cuidadas, as esplanadas de luxo e a arquitetura tradicional.

Monemvasia

A cidade-fortaleza bizantina, a quem muitos apelidam de Gibraltar da Grécia, devido à sua localização, na base de uma grande rocha que se eleva do mar, é um destino imperdível. A vila medieval é profícua em ruas e escadarias pitorescas, casas de pedra bem reabilitadas, revelando-se aos olhos dos visitantes um cenário de rara beleza, pintada e descrita por muitos – o poeta grego Yannis Ritsos é daqui oriundo. Percorrer todas as suas ruelas e ir subindo até à parte mais alta, alcançar o castelo e dali avistar todo aquele mar e os telhados, repousar alma e físico na esplanada para um refresco, são, já se sabe, tarefas obrigatórias, mesmo quando a nada somos obrigados estando de férias.

Ioannina

Quase colada à Albânia, é a capital montanhosa da região noroeste da Grécia, com um lago, Pamvotida, com a sua própria ilha. Berço de romancistas e poetas, oferece vários eventos artísticos durante a maior parte do ano, mas também edifícios lindos e o centro histórico, onde são evidentes as influências cristã, islâmica e judaica. Por seu turno, uma visita à única ilha-lago da Grécia, que consiste numa pequena vila, um mosteiro e um percurso para caminhadas, deverão constar da lista dos to-do.  

Nafpaktos

Num canto da Grécia central, à beira-mar, seduz-nos com o seu visual despretensioso. Pouco turística, e a três horas de carro de Atenas, vale a pena a visita. Localizada a meio caminho entre Delphi e Olympia, é um local de paragem, se não importante, pelo menos conveniente. E logo a seguir, surpreendente. Gostamos do seu porto, emoldurado por muitos restaurantes e cafés, da oferta de hotéis boutique, da praia que se estende por vários metros, a partir do cais, do castelo, cujo acesso implica uma subida íngreme de uma hora – mas a vista compensa! O seu charme medieval e a paisagem rematam, por ora, a lista de encantos.

DE ILHA EM ILHA

As ilhas e ilhotas são a principal característica geográfica do país – estimam-se em 6000 – e são indissociáveis da sua cultura e tradição. Banhadas pelos mares Egeu, Jónico e Mediterrâneo, só apenas uma parte é habitada. A sua paisagem varia entre praias de areia branca ou escura, dependendo do tipo de solo, e outras de pedra, baías e enseadas, grutas e elevações rochosas e, depois, a diversidade da vegetação autóctone, que varia de região para região, podendo ser mais verde ou mais seca e rasteira. 

A maior parte das ilhas encontramo-las no mar Egeu e dividem-se em sete grupos (de norte a sul), entre elas Lesbos e Samos; depois as da Sporades e Evia, que inclui a ilha de Skiros, as do mar Argosarónico, onde se incluem Aegina,  Poros, Spetses e Hydra, as famosas Cíclades, que reúnem mais de 50 ilhas, sendo as mais populares Milos, Mykonos, Naxos, Paros, Santorini, e as conhecidas como pequenas Cíclades, que incluem Koufonisia e Schinousa.

O Dodecaneso, outro grupo de ilhas na extremidade leste do mar Egeu, junto à costa sudoeste da Turquia, engloba ilhas como Kos, ponto de paragem de muitos cruzeiros que navegam em direção à Turquia, ou Rodes. Finalmente, Creta, com ilhas como Heraklion e Lasithi.

Aegina

Para quem veleja a partir de Atenas, e porque em regra os barcos alugados no porto partem durante a tarde, a pernoita faz-se, para muitos, em Aegina, na parte norte. Ali chegados ao final do dia, para quem vai à velocidade do vento, há que pedir aos deuses alguma benevolência – nem todos conseguem atracar no pequeno porto, destinado, em primeiro lugar, aos barcos dos pescadores. Mas se a sorte estiver do seu lado, será um pequeno privilégio saltar para terra e poder jantar ao ar livre. Recomendam-se os restaurantes das ruas atrás do porto, menos concorridos e quase sempre boas descobertas. Para quem decide ficar um dia, há sempre algo para ver e fazer – além dos vários edifícios históricos, visitar o Templo Apheae, nos arredores, percorrer as pequenas e charmosas aldeias ou dar um mergulho numa das pequenas ilhas próximas poderá justificar uma visita que não se limite a uma só noite.  

Hydra

Poros, Hydra e Spetses estão na rota e prometem estadias memoráveis que incluem as bonitas paisagens terrestres e marinhas, sítios arqueológicos, museus, casas senhoriais, vilas pitorescas e praias maravilhosas. Escolhemos a bela Hydra, glamorosa, onde o azul e o branco lhe emprestam o visual digno de um filme romântico. Aqui viveu, nos anos 60, o compositor e cantor Leonard Cohen, ilha que escolheu para terminar o seu primeiro romance. Casa de outros artistas e escritores, entre eles Lawrence Durrell e Henry Miller, Hydra é, ainda hoje, um destino procurado por muitas celebridades. As várias residências de luxo, os seus cafés e restaurantes, o porto, encantador, as lojas e todo aquele vaivém de velejadores, fazem deste um destino incontornável.  

Poros

Mesmo sendo uma ilha, a mancha de água que a separa do continente é mais pequeno do que o rio Tejo, em largura e em extensão, mas logo depois de Aegina esta é uma paragem que pode valer a pena, para repor baterias, conhecer a ilha de moto e percorrer as suas ruas com calma.

Spetses

Se ali chega a final do dia, esqueça um lugar para atracar o barco. Razão para acordar muito cedo e rumar a Spetses cedo. A partir daí, prepare-se para conhecer uma ilha com uma longa tradição naval, com um porto antigo pitoresco, e um centro turístico e comercial cheio de atrativos. 

Zaquintos

A terceira maior ilha do Mar Jónico, depois de Corfu e Kefalonia, é manchada de verde, temperada pelo clima ameno, abençoada por vales e praias de areia branca e águas de azul profundo. São seus atributos um fascinante mundo subaquático a descobrir, bem como a flora – estima-se existirem mais de 7.000 espécies de flores na ilha. Atingida por um devastador terramoto em 1953, e logo a seguir por um incêndio, viu vários edifícios históricos e igrejas ficarem totalmente destruídos. A cidade foi reconstruída de acordo com um plano que aplicava rígidas especificações antissísmicas e, em grande medida, respeitando a antiga estrutura arquitetónica.  

Lefkada

Rodeada por 24 ilhotas, a nossa atenção foca-se, avistada do mar, em Skorpios, refúgio de férias de Jacqueline Onassis – é célebre a fotografia de Jackie O nua, na pequena ilha, em 1972. Lefkada tem muitos pontos turísticos de interesse, entre igrejas e mosteiros, vilas, enseadas com águas azul-turquesa e belas praias, algumas isoladas. As pracetas, ruelas e becos, as suas casas tradicionais e a envolvente, do canal e da lagoa, fazem parte dos predicados e prometem uma visita que vale a pena.

Ítaca, Kioni

Famosa como o lar de Odisseu, Ítaca simboliza o regresso ao refúgio, a descoberta e a realização. Tranquila e nem por isso muito conhecida, tem uma superfície montanhosa com 27 km de extensão, trilhas ao longo de uma sequência de azul e verde, a da costa e a das paisagens de oliveiras, ciprestes, pinheiros, carvalhos, medronheiros e alfarrobeiras. Mas é Kioni, uma vila de pescadores, na costa nordeste da ilha, com o seu porto pitoresco, retiro de embarcações de recreio e barcos de pesca, o nosso ansiado destino. Entre as casas bem cuidadas, de beirais floridos, ruas estreitas e perfumadas, lojas, restaurantes, padarias e cafés tipicamente gregos, destaca-se a fileira de esplanadas junto à água. Para quem ali pensa pernoitar, um aviso à navegação: vai desejar ter mais dias ou abdicar de um dos destinos marcado na sua rota, porque aqui apetece ficar mais tempo. 

Arquipélago das Cíclades

O grupo de ilhas mais famoso do Mar Egeu, que inclui várias das mais bonitas e conhecidas ilhas do mundo, oferece ao visitante praias idílicas, alguns dos mais luxuosos hotéis boutique e de design, vida noturna, bons restaurantes, a que se soma a hospitalidade do seu povo, a arquitetura de branco e azul e paisagens áridas com capelas isoladas. Em Tinos, centro religioso do país graças à presença da igreja de Panayia Meyalóhari, juntam-se, todos os anos, milhares de peregrinos; Mykonos, famosa pelas suas colinas nuas, praias de areia branca e a arquitetura típica, é outro destino dos velejadores, se os ventos o permitirem, e um porto seguro para os amantes de lugares cosmopolitas, para quem ali chega por outro meio. O glamour e a simplicidade, os jovens e as famílias, os turistas reformados e algumas celebridades juntam-se em Mykonos, seduzidos pelo verão grego. Em Kea, que exibe a maior floresta de carvalhos das Cíclades e uma paisagem de montanhas íngremes, olivais, vinhas, vales e enseadas pitorescas e praias pouco conhecidas, apaziguamos a vista.  

Em Santorini, com a forma de lua crescente, e a joia do Egeu, formada por um grupo de ilhas na parte sul das Cíclades, vive-se o paraíso ao vivo e a cores. Talvez um dos destinos mais procurados pelos românticos e apaixonados, uma viagem a Santorini, e assistir ao famoso pôr do sol, resumem, grosso modo, a razão do seu sucesso. Firá, a capital da ilha, é assim como a “varanda de Santorini”, mas a par com outras aldeias, famosas pelos seus sítios arqueológicos, umas mais cosmopolitas, outras mais tranquilas, emolduradas por vinhas, fachadas caiadas de branco e toda aquela atmosfera tradicional, Santorini e seus arredores asseguram uma experiência inesquecível.   

Fontes (informação e imagens): www.visitgreece.gr / unsplash.co

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