Maria Borges

Fez história ao surgir na passerelle do mundialmente famoso evento da Victoria’s Secret, com o seu cabelo natural afro, em 2015, e é hoje um rosto incontornável nos principais desfiles do circuito internacional da moda, em Paris, Milão, Londres e Nova Iorque.

Versace, Givenchy, Tom Ford e Giorgio Armani são apenas algumas das marcas que teve oportunidade de representar no universo da alta-costura. Em entrevista à F Luxury, na sua edição especial de aniversário, a top model Maria Borges recorda os momentos mais marcantes do seu percurso e fala-nos da importância da aceitação individual e de celebrar a beleza feminina.

É A ÚNICA MODELO ANGOLANA A PARTICIPAR EM TODAS AS SEMANAS OFICIAIS DO CIRCUITO INTERNACIONAL DA MODA. ENQUANTO TOP MODEL E MULHER AFRICANA, CRÊ TER REPRESENTADO UM PONTO DE VIRAGEM PARA A MODA?

Com certeza que tem sido um ponto de viragem para a moda exaltar a beleza da mulher africana nos quatro cantos do mundo. E é verdade que, ao apreciar o trabalho das minhas colegas de profissão angolanas, e até das mais recentes, que estão a dar passos firmes, fico feliz por continuar a ser a modelo que mais rapidamente marcou os desfiles a nível mundial. Creio que os números falam por si e estou mesmo muito grata por todas as oportunidades que me têm dado.

JÁ PISOU A PASSARELLE PARA VÁRIAS MARCAS INTERNACIONAIS, COMO DIOR, GIVENCHY, KENZO, JEAN PAUL GAULTIER OU MAXMARA. QUAL FOI O DESFILE QUE MAIS A MARCOU?

Tive a oportunidade de ser a primeira angolana a trabalhar com todas estas marcas e todos os desfiles contribuíram para o meu posicionamento como modelo high fashion. Entre os desfiles que mais me marcaram destaco o da Tom Ford, por ter sido o primeiro que fiz em Londres e com exclusividade, em 2013, e o mediático desfile de alta‐costura da Versace, em 2014, que tive oportunidade de fechar, uma temporada depois de Naomi Campbell tê‐lo feito. Destaco ainda a Givenchy, por me ter lançado com exclusividade, com direito a campanhas e desfiles das coleções feminina e masculina, e a Giorgio Armani, por me ter dado a oportunidade de ser a primeira modelo negra da história a fazer a abertura do seu espetáculo, na importante semana da moda de Milão, em 2013.

FOI A PRIMEIRA MODELO NEGRA A DESFILAR COM O CABELO NATURAL PARA A VICTORIA’S SECRET. O QUE REPRESENTOU ESSE MOMENTO PARA A MODA?

É verdade, esse ano (2015) foi especial por mostrar que uma mulher pode ser sexy e bonita se tiver autoconfiança. Há anos que a mulher afro estava a perder a sua essência e a confiança no seu cabelo natural e com a Victoria’s Secret pude mostrar que é tudo uma questão de aceitação individual. Isso representou uma vitória para mim e que ficará na mente de todos, principalmente da nova geração. Pelo menos é essa a minha esperança.

DESFILAR PARA A VICTORIA’S SECRET ERA UM DESEJO ANTIGO? COMO SURGIU ESTE CONVITE?

Na verdade, o meu foco sempre foi a alta‐costura e o convite da marca para participar no casting do seu evento anual surgiu porque a equipa apostava muito em modelos de topo, principalmente para estes espetáculos de grande vulto. Fui selecionada e entrei no evento da Victoria’s Secret cinco vezes consecutivas.

QUE MAISON GOSTARIA DE VESTIR E QUE AINDA NÃO TEVE OPORTUNIDADE?

A Valentino. É o meu sonho trabalhar para a marca, ainda não aconteceu devido à concorrência que existe, mas sei que, um dia, a oportunidade chegará e eu estarei pronta para tamanho desafio.

AS SEMANAS INTERNACIONAIS DE MODA SÃO SEMPRE EXIGENTES. COMO SE PREPARA PARA ESTES DIAS?

Não é fácil manter as mesmas medidas para todas as semanas de moda, mas graças à minha genética tudo é menos complicado. Basta saber o que comer para estar com o corpo e a mente sempre saudáveis. Além disso, tento treinar três vezes por semana – faço exercícios funcionais de yoga –, porque sou, como se diz, “um bom garfo”, e não dispenso um bom funje, prato típico africano.

DESFILAR TAMBÉM REQUER SEGURANÇA E PERSONALIDADE. EM QUE PENSA QUANDO PERCORRE A PASSERELLE?

Peço a Deus para que esteja sempre ao meu lado e para me dar segurança, porque amo o meu trabalho. Pode dizer‐se que sou uma pessoa iluminada e que brilho para o mundo ver.

É UMA TOP MODEL QUE TAMBÉM REPRESENTA A DIVERSIDADE CULTURAL. SENTE UMA RESPONSABILIDADE ACRESCIDA QUANDO PISA A PASSERELLE OU REPRESENTA UMA MARCA?

Plenamente. Para além de representar a diversidade cultural do meu país e do meu continente, tenho a responsabilidade de exaltar e representar o que significa ser mulher, de um modo geral, independentemente das minhas origens. Porque as marcas escolhem‐me para celebrar as mulheres e a sua existência. E isso é um enorme privilégio.

Por Sofia Santos Cardoso

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