Desconfinar mente e alma

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Sugerimos seis propostas, entre Lisboa e Nova Iorque, onde o patamar de qualidade é extraordinariamente bom!

V&A, Londres

“Alice: Curiouser and Curiouser” – Coletiva

Victoria & Albert Museum nunca desilude nas exposições temporárias. São sempre tão boas que neste roteiro não resistimos a incluir duas. 

“Alice: Curiouser and Curiouser” (uma tradução livre deste título será ‘Alice, cada vez mais curiosa’), traz o imaginário do incontornável conto de Lewis Carrol que há 157 anos fascina toda a gente. Numa exposição imersiva e irresistivelmente teatral, Alice é mostrada em todas as facetas em que todas as formas de arte a exploraram: desde o cenário e guarda-roupa retro-futuristas de Bob Crowley para o The Royal Ballet em 2011, até ao desfile, au theme, de Vivienne Westwood primavera-verão 2015, passando pelas ilustrações originais da primeira edição da história, por John Tenniel, em 1866.  

“Bags: Inside Out” – Coletiva

O segundo grande motivo para ir a Londres desconfinar mente e alma é outra grande exposição também no V&A, desta vez a pensar em si em todas as mulheres que não saem de casa sem a mala certa.  A mostra “Bags: Inside Out” traz todo o imaginário que temos na cabeça (e para algumas mulheres, no closet) do mundo do derradeiro acessório chique: a mala, ou a carteira, depende dos seus pontos de vista e educação. Não se iluda, nem tudo aqui é chique com C maiúsculo: de mochilas de campista e caixas de correio político, até Birkins e bagagem de porão assinada Vuitton, tudo aqui cabe. A mostra “Bags: Inside Out” explora tudo, o estilo, a função, o desenho e a perícia da manufatura do derradeiro acessório. 

Há peças do século XVI, onde rainhas guardavam o tabaco recém descoberto nas Américas (e tão, tão excitante), a caixa usada por Churchill durante a Guerra para despachar mensagens que talvez nos tenham ditado o quotidiano do presente, e Stella MacCartney Lagarfeld e Mulberry e Fendi e…

Victoria & Albert Museum, Londres

“Alice: Curiouser and Curiouser”

Na Galeria Sainsbury

Inaugura a 27 de março

Preço: aprox. €22,50

“Bags: Inside Out”

Até setembro 2021

Preço: aprox. €13,50

1-54, Nova Iorque – Coletiva

1-54 é a mais conceituada feira internacional dedicada à Arte Africana Contemporânea e à respetiva diáspora. Fundada por Touria El Glaoui (marroquina, 46 anos), a feira tem edições anuais em Londres desde 2013, em Nova Iorque desde 2015 e em Marraquexe desde 2018. Tenta abarcar todas as expressões artísticas contemporâneas provindas dos cinquenta e quatro países que compõem o vasto continente africano e tem sido, desde o início, uma plataforma sustentável e dinâmica de troca e diálogo. Alguns dos mais conceituados artistas africanos tiveram na 1-54 o merecido debute e/ou reconhecimento internacional.

Feira 1-54

Maio 2021

Dias concretos e local não disponíveis ao fecho desta edição.

Casa das Histórias, Cascais

“Paula Rego / Josefa de Óbidos: Arte Religiosa no Feminino”

Uma é certamente a maior pintora portuguesa da atualidade, reconhecida internacionalmente como nenhuma outra; a segunda tornou-se, no século XVII, a primeira mulher em Portugal a ser reconhecida como pintora profissional, ou seja, a ganhar a vida como artista. Tantas coisas que as distinguem: as épocas, por isso os estilos – Paula viu-se em vida reconhecida ao nível planetário, ao contrário de Josefa, que durante séculos foi obtusamente carimbada por vezes como uma espécie de ‘saloia savant’, e só depois, particularmente de o Louvre a tornar uma de apenas dois portugueses a adornar as suas salas, viu a sua cota comercial atingir as estrelas. A cota comercial apenas, que a Josefa tanta gente foi adorando sempre.

A temática da exibição procura um traço comum, que as una: as mulheres e a religiosidade. Se em Josefa de Óbidos esse traço é evidente – alternava pintura sacra com deliciosos painéis onde apresentava bolos, doces e confeitos -, em Paula Rego a religiosidade não é tanto omnipresente, mas quando surge, fá-lo sem recatos, onde as suas mulheres se tornam santas e mártires.

Casa das Histórias, Cascais

Até 23 de maio 2021

Preço: €5

Casa das Histórias

MMIPO, Porto

“Capturar o Invisível” – Lindbergh+Giacometti

O que leva um dos mais conceituados fotógrafos de moda, criador de três calendários Pirelli pejados de lindas manequins seminuas, a querer fotografar a aparente imobilidade de esculturas assexuadas?

Peter Lindbergh foi desde sempre fascinado pela obra de Giacometti. Em 2017, a Fundação Giacometti, em Paris, convida-o a fotografar as esculturas; no resultado, feito de close-ups e grandes impressões, vemos aspetos que nelas não detetamos a olho nu: associando obras de diferentes períodos nas suas composições, o fotógrafo estabelece um diálogo entre épocas e estilos.

São mais de 110 obras, entre bronzes e desenhos de Giacometti e respetivas fotografias de Lindbergh. Como sobremesa, o MMIPO apresenta ainda, numa sala exclusiva, alguns dos mais icónicos retratos do artista, como Naomi Campbell, Uma Thurman ou Julianne Moore.

MMIPO, Porto

“Capturar o Invisível” 

Até 25 de agosto 2021

Preço: €6

Cordoaria Nacional, Lisboa

“Rapture” – Ai Weiwei

Eleito o artista mais popular do mundo em 2020 pelo The Art Newspaper, Ai Weiwei é mundialmente reconhecido pelo seu forte engajamento político e por conectar a arte a questões sociais e de direitos humanos. A mostra apresentará alguns dos trabalhos mais icónicos do artista, assim como obras originais produzidas em Portugal que exploram técnicas tradicionais revisitadas.

A palavra rapture, em inglês, tem assumidamente várias leituras: o momento transcendente que une a dimensão terrena e a dimensão espiritual; o sequestro dos direitos e liberdades de cada um; e a ligação entre o entusiasmo sensorial com o êxtase. Para Ai Weiwei, rapture é um pouco de todas essas ideias tomando forma numa exposição inédita que propõe apresentar as duas dimensões criativas de um artista ícone dos nossos tempos: realidade e fantasia.

Se, por um lado, Ai Weiwei é um notório ativista político, símbolo da resistência à opressão e defensor dos direitos civis e da liberdade de expressão, com uma ampla produção artística que marcou a luta nas últimas décadas; por outro, também, é um articulador das raízes culturais mais profundas da humanidade, em especial das tradições e iconografia chinesas, perdidas ou esquecidas desde a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung (1966-1976). Essa dimensão mais fantástica, mística e espiritual é um elemento forte, porém menos notório na sua obra.

A pesquisa por materiais, técnicas e elementos simbólicos de outros tempos é um trabalho de arqueologia cultural que faz parte da busca pela identidade que a China perdeu e atualmente sofre pela desconexão com as suas raízes.

Depois de visitar várias vezes Portugal, Weiwei viu nos artesãos nacionais uma centelha rica deste saber empírico, quase perdido em tempos de hashtagstiktoks e instagrams-like, e acabou por usá-los em peças suas. 

A exposição divide-se em dois núcleos/flancos: um é o lado da fantasia, onde essa origem é explorada; e o outro incide sobre a realidade e a emergência de assuntos que transbordam nas nossas vidas com o agravamento das condições humanas no planeta. Seja por razões políticas, ambientais ou sociais, Ai Weiwei oferece-nos uma visão atenta a questões essenciais que afligem todos os povos, tais como de onde viemos e o que estamos aqui a fazer.

Cordoaria Nacional, Lisboa

Rupture – Ai Weiwei

4 de junho a 28 de novembro

Preço: entre €10 e €15, em função do dias da semana e da idade do visitante.

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1. Do bailado “Alice in Wonderland”, pelo The Royal Ballet. A bailarina Zenaida Yanowsky vestida por Bob Crowley e fotografada por Johan Persson em 2011.

2. O espaço expositivo da mostra “Bag – Inside Out”, no V&A.

3. Mala Hector Bag, por Thom Browne, da coleção outono-inverno 2019.

4. Escultura “Planets in My Head, Young Mathematician”, por Yinca Shonibare, foto por Brittany Buongiorno.

5. Escultura Orgulho / Pride, da série Sete Pecados Mortais, por Paula Rego. Foto de Julia Lombao. 

6. Anunciação, 1676, por Josefa de Óbidos. Foto de Julia Lombao. 

7. Frame de vídeo sobre a vida e a obra de Peter Lindbergh. Aqui, durante uma sessão fotográfica com Kate Winslet.

8. Uma das fotografias da obra de Giacometti realizada por Lindbergh.

9. Ai Weiwei, foto cortesia de Ai Weiwei Studio.

10. Escultura/instalação “Snake Ceilling”, na Galeria Nacional de Praga, em 2009. Cortesia de Ai Weiwei Studio.

Por João GS

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