Maria João Bahia

É reconhecida, em Portugal e fora de portas, como um dos nomes importantes no universo da joalharia de autor, assinando peças originais e únicas, somando elogios e reconhecimento. A identidade da marca confunde-se naturalmente com a autora e a designer.

Quem é a mulher por trás da marca Maria João Bahia?

A mulher é, por natureza, um ser misterioso – refiro isto no sentido de estar constantemente a descobrir-me, a tentar superar-me. O meu maior desejo, desde que me lembro que existo, sempre foi ser Mãe. Foi um desejo que realizei e que me realizou como pessoa. Adorei todo o tempo de maternidade, do crescimento dos meus filhos. Vivi-o intensamente, o mais que pude, todos os dias. Era muito importante para mim esta realização como mulher.

O meu percurso profissional começou antes de ter filhos, daí que o crescimento deles tenha acontecido, literalmente, no meu atelier. E o atelier era a minha casa, em todos os sentidos, e ainda hoje é o lugar onde mais gosto de estar.

Esta vida, entre a casa e o trabalho, sempre representou uma linha divisória muito ténue. É por esta razão, entre outras, que a marca se confunde comigo.

Com mais de 35 anos de carreira, desenvolveu peças notáveis, especialmente para Hubert Guerrand-Hermès, Jane Fonda e o Santo Padre Papa Bento XVI, por ocasião de Sua visita a Lisboa, em 2010. A que se deve o seu sucesso?

O que posso responder é que trabalhei arduamente, com muito amor e dedicação ao meu trabalho, sem nunca deixar de tentar surpreender os meus clientes e superar-me a mim própria. A pesquisa permanente de novos pontos de vista, de momentos, de experiências, a reflexão constante sobre situações, criam em mim uma necessidade de procura, de alternativas. O sucesso de um artista é o resultado da análise que o público faz do seu trabalho. O julgamento do cliente está na base do meu sucesso.

Qual considera ser, atualmente, o papel das mulheres em matéria de empreendimento e concretização de projetos profissionais?

Desde os primórdios da humanidade que o papel da mulher é fundamental. A mulher consegue estar atenta à sua família, ao seu trabalho, à vida dos que a rodeiam. Temos características intrínsecas muito díspares das dos homens, mas muito complexas e completas. Apesar de acreditar que o empreendedorismo e a concretização de projetos são mais difíceis para as mulheres, acho que, em regra, somos mais resilientes.

Encetar um projeto em nome próprio é sempre um grande desafio. Desde o início, as criações MJB destacaram-se entre outros designers pela sua originalidade e autenticidade. Com uma assinatura autêntica, Maria João Bahia cria peças de arte únicas. Que conselhos daria a outras mulheres empresárias que estejam a iniciar os seus próprios projetos?

O empreendedorismo em nome próprio é, indubitavelmente, mais difícil. Mas eu tinha um projeto muito bem delineado na minha cabeça. Sabia o que queria, o que tinha de fazer e onde queria chegar. Não sabia é como é que isso se materializava. Daí ter começado por trabalhar em oficinas, pois precisava de conhecer os segredos que não se diziam – de que forma eram feitas as peças, aquelas de quem todos diziam ser muito difícil, praticamente impossível, repetir. Os segredos guardados nas oficinas onde trabalhei, ao lado dos meus colegas, constituem dos momentos mais enriquecedores da minha vida.
Por outro lado, tive a sorte de nascer no seio de artistas, por isso toda a parte cultural e sentido estético fizeram parte do meu crescimento. Lembro-me de, desde muito pequena, estar presente em alguns almoços e jantares com amigos dos meus pais (artistas plásticos, músicos, cantores, bailarinos) e de uma forma muito natural assistir e ouvir as suas conversas, e tenho a certeza de que estas foram muito importantes para moldar a pessoa que sou hoje.

Numa óptica de rede de relacionamento empresarial entre mulheres, o que significa para si a existência do F Club?

O F Club é um projeto muito interessante e enriquecedor ao nível da partilha de ideias e experiências profissionais. Pessoalmente, acarinho este tipo de organizações, de clubes, pois, geralmente, promovem dinâmicas muito criativas e úteis para a sociedade.

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