Teatros memoráveis

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Teatro Alla Scala

Onde: Milão, Itália

Com uma fachada muito linear, projetado pelo arquiteto neoclássico Giuseppe Piermarini, o interior deste edifício, em Milão, respira elegância, requinte e luxo. A sala de espetáculos em forma de ferradura exibe um vermelho vivo, que adorna as paredes, em contraste com o palco e parapeito dos camarotes cor de marfim, ricamente ornamentados com ouro, também presente em apontamentos que decoram a cortina de veludo vermelho. O opulente lustre de 400 lâmpadas ilumina toda a sala, cujo piso de madeira contribuiu para a otimização da acústica.

O nome do teatro deve-se à igreja de Santa Maria alla Scala, em sua homenagem, demolida no final do século XVIII. O Teatro alla Scala em Milão começou a ser construído em 1776, no decorrer do incêndio que destruiu o Regio Ducale, o teatro que substituiu a igreja, e  que inspirou o seu nome por ordem da imperatriz Maria Teresa da Áustria, inaugurado dois anos depois.

Com o fim da guerra, o edifício foi reconstruído e reaberto em maio de 1946 com um concerto memorável conduzido pelo maestro Arturo Toscanini. Na sequência da restauração e modernização, ocorrida entre janeiro de 2002 e dezembro de 2004, o Teatro alla Scala consagrou-se como um dos equipamentos mais importantes do mundo com apresentações de ballet, óperas líricas e concertos de música clássica. A casa de Rossini, Bellini, Donizetti e Verdi é uma mais famosas do mundo. Entrar neste lugar é como recuar no tempo. Por ali passaram compositores como Verdi, Toscanini e Puccini, tenores e sopranos como Maria Callas, Luciano Pavarotti, Plácido Domingo, Teresa Berganza, Joan Sutherland, Montserrat Caballé e José Carreras e bailarinos como Margot Fonteyn e Rudolf Nureyev.

Ópera Bolshoi

Onde: Moscovo, Rússia

O Teatro Bolshoi é a mais conhecida e influente instituição cultural da Rússia, originalmente projetado pelo arquiteto Joseph Bové. Um dos principais pontos turísticos de Moscovo, o edifício, inaugurado em 20 de outubro de 1856, no dia da coroação do czar Alejandro II, exibe uma fachada neoclássica, ainda hoje representada na nota de 100 rublos.

Casa de uma das maiores e mais antigas companhias de bailado do mundo, da qual fazem parte mais de 200 dançarinos, o Bolshoi passou por grandes reformas entre os anos de 2005 a 2011. Com a sua qualidade acústica recuperada, bem como toda a deslumbrante decoração que havia sido comprometida no período soviético, o teatro está hoje como nos tempos da Rússia Imperial. Inicialmente de uso privado, passou ser um teatro estadual a partir de 1794. Antes da Revolução de Outubro, fazia parte dos Teatros Imperiais do Império russo, juntamente com o Teatro Maly (pequeno teatro) em Moscovo e alguns teatros em São Petersburgo – caso do Hermitage, Bolshoi (Kamenny), depois Teatro Mariinsky, e outros. De tempos a tempos, o seu status mudava: estava subordinado ao governador geral de Moscovo ou novamente sob a direção de São Petersburgo. E assim continuou até à revolução de 1917, quando todas as propriedades foram nacionalizadas.

Existem poucos espaços na capital russa que sejam tão simbólicos, imperiais e profundamente associados à história e ao espírito de Moscovo como o Teatro Bolshoi. O Kremlin, a Praça Vermelha e o Bolshoi. Nada mais se lhes compara! De facto, toda a história da cultura teatral da cidade esteve, durante muitos anos, associada ao Teatro Bolshoi. Quando olhamos para o impressionante edifício, com as suas colunas e carruagem icónica no telhado, não imaginamos a história conturbada de destruição e reconstrução que ele encerra: foi alvo de incêndios, nada menos do que quatro vezes. O primeiro aconteceu ainda antes de abrir as suas portas, apenas alguns meses após a imperatriz Catarina, a Grande, confiar ao príncipe Piotr Urusov a criação do teatro, em 1776 – data oficial da sua fundação. Mais tarde, Urusov faliu e teve de passar o teatro para o entrepreneur Michael Maddox, que, por sua vez, o entregou ao governo. Naquela época, não era ainda Bolshoi, mas Teatro Petrovka (situava-se na rua Petrovka). Até 1824, este era considerado parte do Teatro Imperial de Moscovo, juntamente com o que mais tarde se tornaria o Teatro Mali – literalmente “Teatro Pequeno”.

O Bolshoi foi consumido por incêndios: em 1805, 1812 (bem como toda a cidade de Moscovo) e 1856. Depois disso, o edifício foi modernizado e os incêndios cessaram. Recebeu oficialmente o título de Teatro Bolshoi após a sua grande inauguração, em 1825, para separá-lo do Teatro Mali, adjacente, no centro de Moscovo (Mali é, de facto, muito mais pequeno e recebe apenas peças de teatro, enquanto o Bolshoi se dedicava a óperas e ballet). A partir de 1919, foi renomeado Teatro Académico Estatal Bolshoi. Vladímir Lenin pensou em demoli-lo, pois, segundo o próprio, tratava-se de uma arte burguesa e cara. Mas tal ideia não foi, felizmente, concretizada.

Por se tratar de um dos mais antigos e famosos teatros do mundo, há muita coisa bela para ver no Bolshoi, começando pela arquitetura do edifício. No alto da fachada, existe uma escultura do deus da arte, da beleza e da perfeição, Apolo, numa charrete conduzida por quatro cavalos. As grandiosas colunas do pórtico (oito, no total), assim como a praça decorada com fontes, localizadas em frente ao edifício, são igualmente ponto de atenção. As antessalas, muito belas e repletas de magníficos lustres, o interior fascinante e repleto de detalhes, caso do grandioso lustre francês, pesando mais de uma tonelada, Apolo, lembrado no teto da sala principal do teatro, na pintura “Apolo e as musas” (meados do século XIX)… tudo contribui para a nossa admiração. Também o palco, com os seus 21 metros de altura, 25 de comprimento e 26 de largura, e a sala, com capacidade para mais de dois mil espetadores, contribuem para fazer desta uma das casas de espetáculos mais importante e grandiosa do mundo.

Ópera Estatal de Viena

Onde: Viena, Áustria

A tradição da Ópera de Viena remonta ao período do início do Barroco e, em particular, ao princípio do século XVIII, quando as apresentações de ópera aconteciam principalmente na corte imperial. A nova casa da Ópera foi construída pelo arquiteto austríaco August Sicard von Sicardsburg, com Eduard van der Nüll, e juntos planearam a construção atual e os seus interiores. Outros artistas importantes estiveram igualmente envolvidos no projeto. Moritz von Schwind, por exemplo, decorou o foyer, que então levou o seu nome, com frescos esplêndidos, bem como a varanda adjacente com pinturas que representam a “Flauta Mágica”, de Mozart. Em 25 de maio de 1869, a casa foi inaugurada com a obra “Don Giovanni”, de Mozart, na presença do Imperador Franz Joseph e da Imperatriz Elisabeth, sua mulher. Graças ao carisma artístico do teatro, e dos seus primeiros diretores, a popularidade desta casa também cresceu. Um primeiro apogeu aconteceu sob a direção de Gustav Mahler (1897-1907), que renovou completamente o obsoleto sistema de performance.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o teatro foi praticamente destruído no decorrer de um bombardeamento, pondo em causa a sua sobrevivência. Os vienenses, que durante a guerra mantiveram uma vida cultural ativa, ficaram profundamente chocados com o facto de o símbolo da tradição musical austríaca estar reduzido a cinzas. Havia, porém, dois teatros onde as apresentações poderiam ocorrer nos dez anos que se seguiram, enquanto a própria casa de ópera era restaurada com todos os meios disponíveis. Apenas a fachada principal, a grande escadaria, a sala de chá do imperador e o Schwind Foyer foram poupados das bombas. A casa, com o seu novo auditório e maquinarias de palco modernizadas, reabriu com uma atuação de “Fidelio”, a 5 de novembro de 1955. As cerimónias de reabertura foram cobertas pela televisão austríaca e vistas por todo o mundo. Por ocasião desta reabertura, as seguintes óperas foram representadas pela primeira vez na casa de ópera recém-reconstruída: “Don Giovanni”, “Die Frau ohne Schatten”, “Die Meistersinger von Nürnberg” e “Der Rosenkavalier”. Ao longo de sua história, os maiores intérpretes apresentaram-se nesta sala de ópera, e importantes obras-primas foram aqui representadas, com estreia mundial. Ao lado de Gustav Mahler, nomes como o de Richard Strauss, Clemens Krauss, Karl Böhm, Herbert von Karajan (que reforçou, por exemplo, a tradição de executar óperas na língua original) e Lorin Maazel figuram como os mais notáveis à frente da Ópera Estatal de Viena.

Palais Garnier

Onde: Paris, França

A Ópera Garnier ou Palais Garnier é uma sala localizada no IX arrondissement de Paris. O edifício, considerado uma das obras-primas da arquitetura do seu tempo, foi construído ao estilo neobarroco e é o 13º teatro a hospedar a Ópera de Paris, desde sua fundação por Luís XIV, em 1669. O palácio era comumente chamado apenas de Ópera de Paris, mas, após a inauguração da Ópera da Bastilha, em 1989, passou a ser designado Ópera Garnier. A par com a anteriormente mencionada, forma a Ópera Nacional de Paris.

No seguimento da decisão de Napoleão em criar um novo edifício para a ópera, foi promovido um concurso que contou com a participação de mais de 170 arquitetos. O jovem arquiteto Charles Garnier foi o vencedor e realizou o desenho do edifício. Os trabalhos de construção começaram em 1860, mas apenas foram terminados em 1875, no decorrer de vários contratempos, como a ausência de estabilidade do terreno, a guerra de 1870 ou a queda do regime imperial. Finalmente, depois do elaborado trabalho realizado por quase uma centena de pintores, artesãos e escultores, a inauguração do edifício teve lugar em 1875, sem a presença do seu arquiteto, que não foi convidado em virtude de uma relação conflituosa com Napoleão. O edifício era inicialmente conhecido como Salle des Capucines (uma vez que estava localizado no Boulevard des Capucines), mas rapidamente ganhou o nome do seu arquiteto, Charles Garnier.

Ao longo do percurso pelo Palácio Garnier é possível contemplar o luxo e a opulência que rodeavam todos os que assistiam à ópera, não só para desfrutar do espetáculo, mas para verem e serem vistos. Alguns dos pontos mais chamativos do edifício são os foyers, vestíbulos por onde os espetadores passeavam durante o entreato, ricamente adornados com folha de ouro e belos mosaicos. A sala de espetáculos, decorada em tons vermelhos e dourados, está iluminada por um enorme lustre de cristal que ilumina o famoso teto da sala pintado por Chagall, em 1964. Contudo, num incidente fatal, em 1896, o lustre de Garnier, pesando sete toneladas, caiu e matou uma pessoa que assistia ao espetáculo. Este infeliz evento inspirou uma cena famosa numa das obras góticas mais célebres do mundo: o romance “O Fantasma da Ópera”, de Gaston Leroux, desde então adaptado ao ballet, teatro, ópera, musical e cinema. Resulta curioso o pequeno tamanho da sala, que conta com poucos mais de 1900 assentos de veludo vermelho, se comparada com as vastas dimensões do edifício, que ocupa mil metros quadrados. Um dos elementos mais chamativos do edifício é, provavelmente, a grande escada de mármore branco com uma balaustrada de mármore verde e vermelha que une os dois níveis.

Teatro Nacional de São Carlos

Onde: Lisboa, Portugal

O Teatro Nacional de São Carlos existe desde 1793 e é o grande teatro de Lisboa vocacionado para a ópera e para a produção e apresentação de música de coro e sinfónica. Num edifício neoclássico de inspiração italiana, situado no Chiado, esta é a casa da Orquestra Sinfónica Portuguesa, cuja origem remonta a 1993, e do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, criado em 1943 e o único profissional do país. Esta autêntica casa de cultura nacional promove também a apresentação de bailados no Salão Principal, de diversos concertos no Salão Nobre e de eventos mais informais no foyer. Ao longo da sua existência têm abundado os factos históricos, os episódios sociais e os eventos culturais relevantes, que enriquecem o seu património histórico singular, reunido num edifício de características neoclássicas e de inspiração setecentista e italiana, classificado como imóvel de interesse público em 1928 e Monumento Nacional em 1996.

Inaugurado em 30 de junho de 1793 pelo Príncipe Regente D. João para substituir o Teatro Ópera do Tejo, então destruído no terramoto de 1755, nasceu do traço do arquiteto José da Costa e Silva e foi construído em apenas seis meses. Na sua arquitetura estão presentes elementos neoclássicos e rococó, num projeto geral conforme aos cânones do chamado “Teatro à Italiana”, sendo exemplos o Teatro Alla Scala (Milão) ou o Teatro San Carlo (Nápoles), entre outros. O extraordinário valor e a beleza arquitetónica do edifício, bem como a excecional qualidade musical que tem caracterizado os seus longos anos de vida, tornam o Teatro Nacional de São Carlos um pilar incontornável da cena artística e cultural portuguesa. Mas muito mais do que mero herdeiro dessa dimensão histórica, o São Carlos é hoje uma casa viva de música e cultura, sempre de portas abertas, que oferece uma programação diversificada.

Metropolitan Opera House

Onde: Nova Iorque, EUA

O Metropolitan Opera House (também conhecido como The Met) é uma casa de ópera localizada na Lincoln Square, no Upper West Side de Manhattan, na cidade de Nova Iorque. Parte do Lincoln Center for the Performing Arts, o teatro foi projetado por Wallace K. Harrison e inaugurado em 1966, substituindo o original Metropolitan Opera House de 1883, no cruzamento da Broadway com a rua 39. Com capacidade para, aproximadamente, 3.850 lugares sentados, esta é a maior casa de ópera de repertório do mundo. Albergando a Metropolitan Opera Company, o edifício também hospeda o American Ballet Theatre durante os meses de verão.

O planeamento de uma nova casa para o Metropolitan Opera começou em meados da década de 1920, quando as instalações dos bastidores da antiga casa começavam a dar sinais de alguma inadaptabilidade, de modo a aumentar o repertório e avançar para a encenação. Wallace Harrison, o arquiteto-chefe para o desenvolvimento do Lincoln Center, foi escolhido para projetar a nova ópera, a ser construída como a peça central do novo complexo de artes cénicas. Embora a casa não fosse inaugurada oficialmente por vários meses, a primeira apresentação pública no novo Metropolitan Opera House foi “La fanciulla del West”, de Giacomo Puccini, em abril de 1966. O novo edifico foi inaugurado oficialmente a 16 de setembro de 1966, com a estreia mundial de “Antony and Cleopatra”, de Samuel Barber, dirigido e projetado por Franco Zeffirelli.

O prédio é revestido de mármore travertino branco exibindo fachadas com uma série distinta de cinco arcos de cimento (leste), e elementos de vidro e bronze, elevando-se acima da praça. Nos lados norte, sul e oeste do edifício, centenas de aletas verticais de travertino correndo em toda a altura da estrutura dão a impressão de que a fachada é uma massa ininterrupta deste material, quando observada de certos ângulos. O edifício totaliza 14 andares, cinco dos quais subterrâneos. O auditório é em forma de leque e decorado em ouro e bordeaux, com capacidade para 3.794 lugares sentados, distribuídos por seis níveis. Mais de quatro  mil quadrados de folha de ouro revestem o teto abobadado, em forma de pétala, de onde suspendem os 21 lustres de cristal. O palco é um dos maiores e mais complexos do seu tipo, no mundo, estendendo-se por 24 m de profundidade, da linha de cortina até à parede posterior. O auditório ocupa um quarto da área interna do edifício.

Por João Libério

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