Tóquio, a cidade que nunca pára

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Quando pisamos o solo da capital do Japão, o primeiro impacto pode assustar – afinal, é a cidade mais populosa do mundo, com mais de 37 milhões de habitantes – mas rapidamente nos apercebemos do seu encanto e da organização mundialmente conhecida do povo japonês. Tóquio cruza tradição e modernidade. A azáfama das movimentadas ruas centrais contrasta com a paz dos seus jardins e templos e com as pequenas artérias, perpendiculares às grandes avenidas. Estamos numa cidade que vale a pena explorar, pelo menos, uma vez na vida. Tóquio consegue estar na vanguarda dos últimos avanços tecnológicos e, ao mesmo tempo, preservar a herança histórica. Mas estas não são as únicas razões para lá ir. Tóquio é ainda a cidade mais limpa e segura do mundo e, este ano, tem mais um motivo para visitá-la: os Jogos Olímpicos 2020.

Uma cidade moderna com história

Apesar da sua contemporaneidade, Tóquio sabe preservar a história e prova-o bem com os museus que enaltecem a sua evolução e as tradições que continuam a poder ser observadas na rotina dos japoneses. O Museu Shitamachi recria a cidade do século XIX e o Museu Edo-Tokyo mostra como a cidade mudou até à atualidade. Para os apaixonados por arte e design, há também vários museus de visita obrigatória – recomendamos o Museu de Arte de Suntory, o Mori Art Museum e o National Art Center. No icónico Teatro Kabuki-za, no Tokyo Anime Centre, poderá assistir a uma tradicional luta japonesa, no ginásio Ryogoku Kokugikan. De destacar, também, a Torre de Tóquio – uma reprodução da Torre Eiffel e um dos símbolos mais emblemáticos da cidade – e o Tokyo Skytree, com 634 metros de altura, o segundo edifício mais alto do mundo a seguir ao Burj Khalifa (arranha-céus localizado no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos).

Onde o frenesim encontra a tranquilidade

No meio desta cidade, que à primeira vista poderá parecer caótica, encontrará parques, santuários e templos onde poderá contactar com o silêncio e a tranquilidade, tão raros numa grande metrópole. A viagem ‘espiritual’ poderá começar com uma visita ao Santuário Meiji Jingu, no Santuário Hanazono, seguida de uma passagem pelo templo Senso-Ji, o principal monumento da cidade, no bairro antigo de Asakusa. Senso-Ji é o templo budista mais antigo de Tóquio e o mais visitado do mundo. É aqui que se encontra ainda um santuário xintoísta, a religião original do Japão antes do budismo indiano chegar ao país. Para fugir à azáfama da cidade poderá relaxar nos jardins do Palácio Imperial Japonês, em Marunouchi, e desfrutar da beleza de um dos mais icónicos monumentos históricos da cidade. Os jardins imperiais estendem-se por 3,4 quilómetros quadrados, uma área equivalente ao Central Park, em Nova Iorque, onde, outrora, estava localizada uma fortaleza xogum (antigo exército japonês). Para além dos jardins do Palácio existem ainda outros parques de grandes dimensões, e beleza rara, que permitem respirar tranquilidade. Referimo-nos ao Shinjuku Gyoen e o Hama-Rikyu ou ao Parque Ueno, o jardim zoológico da cidade, onde poderá ver pandas gigantes. A contrastar com as paisagens e a atmosfera dos jardins e dos templos harmonizam-se ruas mais movimentadas, que formam a área central de Tóquio (esta está subdividida em 23 bairros temáticos). Aqui poderá fazer compras, experimentar as numerosas iguarias japonesas e admirar a beleza das cerejeiras espalhadas por toda a cidade.

Ginza: o bairro mais sofisticado

Mesmo ao lado do Palácio Imperial estendem-se as largas avenidas de Ginza, que se prolongam por quilómetros. Os painéis de LED instalados nas fachadas dos prédios são famosos, e um chamariz para qualquer visitante, bem como as lojas das mais prestigiadas marcas internacionais, caso de Shiseido, Prada – o edifício desenhado por Herzog & de Meuron é já ícone do bairro –, Chanel, Leica ou o showroom da Sony. Neste bairro sofisticadoconvivem as mulheres japonesas mais elegantes da cidade, vestidas com quimonos de seda floridos, e edifícios de arquitetura contemporânea, alguns deles premiados. Até há pouco tempo, era também muito perto daqui que poderia visitar o tradicional mercado de peixe de Tsukiji, transferido em outubro de 2018 para o distrito de Toyosu. A localização mudou, as instalações são mais modernas e seguras, mas o conceito manteve-se. Para quem nunca foi, o impacto visual é grande, em boa parte devido à quantidade e variedade de peixes e mariscos, polvos ou moluscos gigantes, ovas de bacalhau, frutos do mar exóticos, numa explosão de cores e texturas, cheiros e movimentação humana – é aqui que os donos de restaurantes, ainda de madrugada, negoceiam as peças que vão ser servidas mais tarde e é ainda aqui que se podem provar sushi e sashimi de excelente qualidade.

A atmosfera futurista da cidade

Do outro lado do Palácio Imperial, a oeste, alojam-se os bairros mais recentes. O bairro Shinjuku abriga as impressionantes torres do governo metropolitano e outros edifícios modernos. É também aqui que está localizada a estação ferroviária e de Metro mais movimentada do mundo, com mais de 200 saídas e com uma circulação diária de 3,5 milhões de passageiros. É um autêntico labirinto, em parte subterrâneo, repleto de lojas e restaurantes. Perder-se por aqui é praticamente inevitável. Portanto, não é motivo de preocupação se acabar por acontecer. A leste está o vibrante distrito red-light de Kabukicho, onde sobressaem as coloridas luzes néon que costumamos associar à cidade de Tóquio. Cores que se misturam com o ruído permanente dos comboios, as imagens projetadas pelas telas gigantes e com o movimento frenético do ‘formigueiro’ humano. Bem perto, localiza-se também o carismático bairro Golden Gai, popular pelas suas pequenas artérias estreitas e becos, onde podemos encontrar dezenas de bares e izakayas, os típicos botecos japoneses.

Para lá da baía: a Rainbow Bridge e o famoso Monte Fuji

Do outro lado da baía, e onde se localiza o porto da cidade – a Baía de Tóquio, outrora chamada de baía do Edo – estende-se o bairro Odaiba. Deste lado, para além de uma vista digna de “cartão-postal” para a Rainbow Bridge, encontrará o lado mais kitsch da cidade. É aqui que está a famosa roda-gigante, com 110 metros de altura, virada para o boneco-robô Gundam, em frente ao moderno shopping Diver City. É também deste lado que se encontra o outlet Venus Fort, em estilo romano, e a réplica da Estátua da Liberdade. Nos arredores da cidade há uma grande variedade de bons passeios. De Metro é possível chegar à Tokyo Disneyland, uma opção ideal para quem viaja com crianças. Nikko, no norte da capital, é uma outra boa sugestão para um roteiro fora do centro da cidade, ideal para quem procura saber mais sobre a história do Japão. O Monte Fuji, o mais conhecido do Japão e que se avista da cidade, é outro destino incontornável para quem visita Tóquio pela primeira vez e oferece um cenário de “cortar a respiração”. Uma visita a Tóquio não estaria completa sem passar por lá.

A SABER

. Visitar Tóquio exige planeamento – em boa parte devido à profusão de bairros, todos diferentes, e na sua maioria todos a conhecer – e deste faz parte a aquisição de um bilhete pré-pago que combine as várias companhias que operam a intrincada rede de Metro da cidade.

. Para quem tem tempo, vale a pena conhecer os supermercados gigantes que ocupam boa parte dos pisos subterrâneos das estações de Metro, as principais. Espaços gourmet, de grandes dimensões, onde é possível comprar de tudo um pouco!

. As grandes avenidas, limpas, organizadas e altamente modernas têm vários ‘braços’ que se estendem para as laterais, ruas pequenas onde os edifícios não somam mais do que 2 ou 3 andares e reúnem lojas de design, cabeleireiros – os japoneses são loucos por cabeleireiros -, restaurantes, casas de chá e um sem-fim de pequenos segredos a descobrir com vagar.

.Depois de um dia intenso, vale a pena subir ao último andar do Park Hyatt, em Shinjuku, e pedir uma taça de vinho, colheita de Francis Ford Coppola. Reviver uma das cenas de ‘Lost in Translation’? Talvez, mas a nostalgia nunca fez mal a ninguém e a vista é ímpar.

. O Espace Louis Vuitton Tokyo, inaugurado em 2011 e projetado pelo arquiteto japonês Jun Aoki, localizado no centro de Omotesando, hub de tendências e movimentos culturais, cruza a paixão da Louis Vuitton e do Japão pela criatividade. No piso superior, uma caixa de vidro com vistas deslumbrantes, acontecem regularmente exposições de arte contemporânea. A não perder.


Por Sofia Santos Cardoso

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