Camila Fenster: Olhares

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Amante das viagens e da fotografia, a fotógrafa portuguesa filha de mãe dinamarquesa alia as duas paixões em trabalhos que hoje veem o merecido reconhecimento em galerias internacionais.

Estudou numa escola irlandesa, mas a sua veia artística e sensibilidade para as questões da estética e da narrativa aprendeu-as durante os anos em que trabalhou como production manager numa empresa de filmes publicitários, seguindo-se, mais tarde, o curso de Fotografia na Ar.co e toda a aprendizagem posterior, a solo.

As muitas viagens feitas ao longo da sua vida – e mais recentemente a acompanhar o marido, tripulante da TAP – , refletem o contacto com diferentes culturas e o resultado é um portfólio fotográfico rico em detalhes, nomeadamente texturas, formas e objetos que a artista usa, mais tarde, como se fossem, como refere, “tintas”.

O seu trabalho original é baseado na desconstrução das imagens como um todo e depois na fusão de pequenos elementos que, agrupados, contam uma história. Uma história real, inspirada no seu universo, na forma particular como observa o mundo e a sua própria vida.

“As viagens funcionam, para além da componente lúdica e/ou de descanso, como fonte de inspiração e matéria prima. De cada uma trago várias fotografias e sempre que preciso de material adicional saio à rua e vou à procura de um determinado elemento”, revela.

Mente inquieta, olhar curioso, Camila vê numa parede, janela, teto ou textura – para citar alguns – detalhes que a nós, provavelmente, nos passariam despercebidos. Os temas abordam, grosso modo, a sua experiência de vida – a humanidade e o comportamento humano, o mundo tal como o encontramos. As experiências de trabalho, a maternidade, o segundo casamento, as crises financeiras que assolaram o mundo no passado recente… tudo serviu como mola que a catapulta, ainda hoje, para um patamar de autoconhecimento e até de automotivação. Felizmente, diríamos. Porque as provas estão dadas. E o sucesso ultrapassou as fronteiras.

Da pequena exposição de lançamento num local privado em Sintra à mostra privada em Copenhaga, tudo passou por este filtro. E tudo se baseia em ultrapassar pequenas dificuldades e dúvidas. E destas resultam respostas.

“Houve, um dia, um importante colecionador de arte que me disse: ‘Quero comprar uma coleção inteira, mas as obras de arte têm ser grandes; tem encontrar uma forma de identificar o seu trabalho, uma forma que leve as pessoas a olharem para ele como sendo o seu’. Este desafio fez-me parar para pensar de que forma poderia fazê-lo.” E pensei que ao usar ‘fragmentos’ das minhas fotografias e ao combinar centenas delas, quando ampliadas, teriam ótima qualidade. Apendi tudo no Photoshop, assisti a centenas de tutoriais e fiz inúmeras experiências. Um ano mais tarde, quando mostrei a esse mesmo colecionador de arte, sentado à frente do meu computador, os meus primeiros trabalhos já segundo este método, ele ficou verdadeiramente fascinado”.

Os quadros de Camila Fenster podem ser vistos hoje em duas importantes galerias internacionais, em Miami e Copenhaga – a artista tem cinco trabalhos recentes, exclusivos, feitos para a agência d | a | concepts, de Miami, que a representa ainda através da plataforma de arte internacional Artsy, bem como na Apartment Gallery, de Copenhaga, em que as peças estão expostas em ambiente de “casa artística”, representados por Artli.dk. O futuro é sempre mais.

Tal como a própria Camila afirma: “Quando termino uma obra de arte, fico satisfeita, embora saiba que a próxima será mais difícil de fazer, porque quero sempre fazer melhor, dar mais. A aprendizagem é, para mim, uma constante.”

Por Isabel Figueiredo

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