Um século de moda

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A história da moda é vasta e rica, contemplando um sem número de tendências decorrentes das situações vividas pela sociedade de época. Desde as silhuetas mais ousadas e femininas, aos looks mais desportivos, apresentamos as principais tendências que marcaram o universo da moda no último século.

A moda é uma das características mais importantes na construção de uma personalidade; muitas vezes reflete formas de pensamento e expressa ideais. Fortemente influenciada pelos fatores sociais e culturais vividos ao longo dos tempos, a moda apresenta-se como uma das principais formas de arte do século XXI, que encontra inspiração nas décadas passadas, recriando-as e adaptando-as à realidade dos dias de hoje.

Iniciamos a nossa viagem pela história da moda na década de 1920. Frequentemente recordada como “os loucos anos 20”, esta época ficou marcada pelo seu brilho e glamour. Numa altura em que o mundo começava a recuperar dos efeitos do final da Primeira Guerra Mundial, e de toda a influência que esta teve na sociedade e cultura – foi a partir deste momento que se começaram a verificar os primeiros passos no caminho para a emancipação da mulher -, o universo da moda também sofria as suas modificações: o vestuário feminino rejeitou as camadas e os volumes, adotando um estilo com formas mais simples, onde predominavam as saias curtas e as silhuetas masculinas. Coco Chanel foi uma das designers de destaque da década, ajudando a imortalizar o visual “la garçonne”, caracterizado pelo vestido curto, de formato retangular, que escondia as curvas femininas. Os cortes de cabelo curto e as roupas desportivas também caracterizam a década de 1920, assim como os acessórios (fitas para o cabelo ou simples adereços de decoração).

Os filmes, mais especificamente os de Hollywood, exerceram uma forte influência nas tendências dos anos de 1930. As indumentárias masculinas, femininas e, inclusive, as juvenis encontraram inspiração nos looks apresentados no grande ecrã por estrelas como Clark Gable e Shirley Temple. Assistiu-se, igualmente, a um retorno ao conservadorismo após os “loucos anos 20” devido à grande depressão vivida em 1929: recuperou-se a silhueta feminina das décadas passadas, onde as bainhas voltaram ao comprimento do tornozelo e as cinturas ao seu lugar; também os cabelos tornaram a apresentar-se longos. Os decotes profundos nas costas dos vestidos de noite tornaram-nas na nova zona de destaque do corpo. A inovação da época foi o corte enviesado em godê ou evasê, assim como o surgimento dos conjuntos; peças como vestidos, saias ou casacos que podiam ser combinados entre si e coordenadas com acessórios como luvas, chapéus, cachecóis ou carteiras. Também diferentes estilos de calçado foram criados, tais como sapatilhas, modelos com tiras no tornozelo, saltos de tamanho médio, pontas arredondadas, sapatos bicolores e modelos pump. Elsa Schiaparelli e Jeanne Lanvin foram dois nomes de maior destaque desta época.

Com a primeira metade da década de 1940 dominada pela Segunda Guerra Mundial, o universo da moda estagnou. Tanto homens como mulheres eram vistos nos seus uniformes ou com roupas de um estilo mais utilitário. As cores das peças de vestuário foram fortemente influenciadas pela guerra; as mulheres utilizavam cores de inspiração militar, ligadas a motivos náuticos e da marinha. A guerra também produziu roupas mais masculinas, com saias ainda mais curtas e ombros mais rígidos e largos. Após o término dos conflitos, em 1947, Christian Dior lançou o New Look em Paris, devolvendo à moda uma silhueta abertamente feminina, que só se veio a estabelecer durante os anos de 1950 – por enquanto, assistia-se à crescente tendência do estilo mais casual e desportivo.

A moda assistiu a uma clara divisão de género na década de 1950. Enquanto a indumentária masculina mudou para um estilo quotidiano mais casual, a feminina priorizou a elegância, formalidade e os acessórios. A moda feminina de alta costura sofreu, também ela, mudanças rápidas e drásticas com o surgimento de novos estilistas, como Cristobal Balenciaga e Hubert de Givenchy, quebrando com a silhueta abertamente feminina popularizada por Christian Dior: a forma feminina ocupou o centro do palco com cinturas apertadas e salto alto, uma tendência que serviu de mote para looks clássicos e atemporais – que perduram até aos dias de hoje. Com a utilização de novos cortes, surgiram, também, novas cores e padrões que tornaram as roupas cada vez menos conservadoras, com motivos florais e repetitivos usados para destacar a beleza e o físico das mulheres.

Durante os anos de 1960, a moda tornou-se progressivamente mais casual em todos os sexos e idades. A moda feminina seguiu três grandes tendências: uma continuação da elegância feminina da década anterior, os estilos juvenis de Mary Quant e a influência da Era Espacial e o estilo “hippie” do final da década. A moda masculina assistiu a uma quantidade crescente de cores e padrões, influência militar e novos ícones da moda na forma de estrelas do rock. A conjuntura da época, dominada pela música e pelo movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, deu início a uma tempestade de tendências que quebrou muitas regras, tendências essas que refletiam a mudança na sociedade e a estrutura das classes. A moda expressou essas mudanças culturais e sociais através de peças como vestidos de linha que desnudavam as pernas das mulheres, atribuindo altura extra; cores vibrantes com estampados psicadélicos e carteiras vintage chiques caracterizaram a cena underground, especialmente na indústria da música.

Na década de 1970, as cores e os padrões ousados ocuparam o centro do palco. A moda feminina inspirava-se nos anos de 1940 para os looks diurnos e no glamour e brilho dos “loucos anos 20” para as indumentárias noturnas. Foi durante esta época que a moda incorporou o individualismo – as peças de vestuário tornaram-se num símbolo de independência e livre pensamento, uma tendência adotada até à atualidade. É nesta altura que a designer Diane Von Furstenberg adquire maior visibilidade com a criação do seu icónico wrap dress. Peças como calças à boca de sino, sapatos de plataforma, a utilização da ganga e minissaias caracterizaram os estilos da época, assim como as roupas vintage e as tendências glam rock. Entramos na era dos cabelos compridos e das ombreiras. É nesta altura que o papel das mulheres na sociedade se altera, identificando-se um vasto número a entrar no mercado de trabalho como nunca.

Chegamos à época da excentricidade: os anos de 1980. A moda definiu-se pelo seu estilo arrojado, cores fortes e silhuetas, assim como pelos cabelos com permanentes. As calças com rasgões, o couro e os blazers oversized, assim como o uso de meias, collants e fatos de treino dominavam os guarda-roupas e as ruas, eternizando, para sempre, estas tendências que retornam, hoje em dia, às passarelas internacionais, um excelente exemplo da conhecida afirmação “a moda é cíclica. Além disso, a utilização de acessórios desportivos também ficou extremamente popular, uma tendência impulsionada pela febre da aeróbica a que se assistiu na época – a Nike foi uma das marcas que mais beneficiou com a conjuntura vivida. A MTV teve um dos maiores impactos na moda, onde as celebridades surgiam vestidas de forma excêntrica, inspirando os jovens que assistiam ao canal a recriar looks semelhantes aos visionados.

A década de 1990 afastou a excentricidade que tinha vindo a aumentar nos anos anteriores, em detrimento de um estilo mais minimalista. Igualmente influenciada pela música, principalmente pelos estilos rock e grunge, a indumentária padrão passava pelas calças de ganga e camisas. Alexander McQueen foi um dos designers de destaque desta nova época, graças ao seu estilo ousado e elegante. O estilo hip hop tornou-se o mais popular entre os mais jovens.

2000 marca o início de um novo século, as não tanto de uma nova era para o universo da moda. Nesta época, os designers guiaram-se em grande parte pelo que já existia, experimentando novas combinações, realizando uma “releitura” das tendências do passado. As peças apresentavam-se maioritariamente como monocromáticas e com cortes minimalistas, podendo ser conjugadas com diversos acessórios, desde chapéus a joias. Começamos a assistir à crescente tendência das sobreposições, onde um crop top pode ser utilizado por cima de uma t-shirt. Stella McCartney começa a ser um nome sonante no universo da moda graças ao trabalho desenvolvido enquanto diretora criativa da Chloé.

Cada vez mais próximos da atualidade, entramos na década de 2010. Nos últimos dez anos o fenómeno do streetwear influenciou, de forma decisiva, as criações das marcas de luxo, que se tornaram mais versáteis e casuais. A tomada de consciência dos valores de sustentabilidade e diversidade também influenciaram, de forma decisiva, o modo como as peças, hoje em dia, são criadas: marcas como a Prada e a Versace procuraram substituir as peles de animais utilizadas nas suas criações por outras matérias que proporcionem um efeito semelhante, diminuir-se a pegada ecológica e preservar os recursos naturais. Esses ideais passaram, igualmente, para o design das peças em si, através de mensagens e estampados vocacionados para o tema. A logomania foi uma das grandes tendências em voga, remontando aos anos de 1990, onde os logótipos das marcas surgem de forma relevante no look apresentado.

Culminamos no ano de 2020, que marca o início de uma nova década que se espera que seja ainda mais influenciada pelas novas tecnologias. As tendências recuperam as já vividas nos anos de 1970, demonstrando uma nostalgia pelo passado, que se reinventa com as novas vivências dos dias de hoje. Louis Vuitton é uma das marcas mais sonantes do momento, mostrando-se capaz de acompanhar os gostos dos mais jovens, com estilos mais casuais e alegres, assim como a camada mais adulta, onde as peças mais formais, com linhas minimalistas e elegantes, voltam a ganhar destaque.

Por Marta Carreiro

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