Fusão inusitada – Quando a moda se alia à gastronomia

A combinação é pouco comum, mas já provou ser um sucesso. Alguns dos maiores nomes do mundo da moda decidiram arriscar no mundo da gastronomia e criaram espaços sofisticados, onde o design e o bom gosto se aliam à arte dos chefs de cozinha. Eis os restaurantes pensados pelos olhos dos designers que fazem sucesso nas maiores passerelles internacionais e, agora, também nos roteiros gastronómicos.

Ceresio 7

Designers: Dean e Dan Caten (irmãos DSquared)

Onde: Milão

É no topo do histórico edifício da Enel – a casa da Dsquared – que encontramos o Ceresio 7. Com uma vista magnífica para o centro financeiro da cidade, o Ceresio 7 dispõe de um sofisticado terraço com duas piscinas e uma paisagem de 360º graus sobre a capital da Lombardia. A sala de jantar está cercada por uma vegetação exuberante e as «criações» ficam a cargo do chef italiano Elio Sironi. A distinção dos pratos está na redescoberta dos grandes clássicos da cozinha italiana, que aqui são reelaborados para valorizar os sabores reais. Um dos segredos está no forno a lenha e na churrasqueira a carvão que preservam o sabor original dos alimentos. Lá fora, o bar Ceresio 7 é o lugar ideal para relaxar num final de tarde, sob os últimos raios de sol de Milão ou para dar um mergulho na piscina durante o dia – a partir de junho, já é possível reservar as «cabanas» que decoram o terraço. À noite, há uma seleção de cocktails, minuciosamente preparados por talentosos bartenders, que aliam as receitas clássicas americanas à inovação, conferindo-lhes uma forte identidade italiana.

Dean e Dan Caten, os irmãos DSquared

São, provavelmente, os gémeos mais famosos da moda. Dean e Dan Caten, mais conhecidos por «irmãos Dsquared», nasceram em Toronto e iniciaram o seu caminho na moda na Parson’s School of Design, em Nova Iorque, em 1984. Oito anos depois, mudaram-se para Itália com o objetivo de criar a sua própria marca e conseguiram. Depois de colaborarem com algumas das casas de moda mais famosas de Itália, os estilistas apresentaram a sua primeira coleção masculina com a marca Dsquared2, em 1995. O estilo extravagante da marca chamou a atenção da imprensa internacional e de clientes de todo o mundo. Madonna, Rihanna, Britney Spears, Beyoncé e Rita Ora são algumas das celebridades internacionais fãs da marca.

Gold

Designer: Dolce & Gabbana

Onde: Milão

É um dos mais luxuosos restaurantes e bares de Milão. O Gold Dolce & Gabbana Restaurant dispõe no total de 1800 metros quadrados decorados em tons dourados, numa simbiose perfeita entre os materiais nobres que embelezam o espaço: a pedra, o vidro e o ouro. A experiência começa na entrada, onde se faz o check-in, e é normal que sinta que está na receção de um hotel de cinco estrelas e não de um restaurante. As reservas antecipadas são essenciais. O restaurante gourmet está localizado no primeiro andar e serve apenas jantares. A cozinha é tradicional italiana, com influências sicilianas, uma cortesia do chef «da casa», Domenico Dolce, que nasceu perto de Palermo. Massas alle sarde (com sardinha) ou nhoque all’astice (lagosta) são algumas das sugestões de uma carta especial onde o ouro também figura como ingrediente. Prepare-se para provar a inesquecível sobremesa de ouro e chocolate. No andar térreo, podemos encontrar o Cocktail Bar, o restaurante bistrô para almoços mais leves, e o D&G Golds Coffee Room, pensado para os clientes mais casuais. Na sala de fumadores, poderá apreciar os melhores charutos de Havana. Localizado na Via Poerio, em Milão, quem já passou pelo Dolce & Gabbana Restaurant define-o como chique, elegante, divertido e delicioso.

Domenico Dolce e Stefano Gabbana

Domenico Dolce e Stefano Gabbana estrearam-se na passerelle do Milan Fashion Week com a marca Dolce e Gabbana, em 1985. Gradualmente, a dupla foi lançando outras linhas de produtos, incluindo malhas e acessórios, mas ganhou notoriedade sobretudo pelos seus vestidos sensuais e pelas roupas masculinas, que lhes renderam o Prémio Woolmark, em 1991. No início dos anos 90, a estrela pop Madonna selecionou Dolce e Stefano Gabbana como figurinistas para a sua tourné mundial Girlie e usou no Festival de Cannes um dos espartilhos incrustados de joias criados pelos designers. Ao longo dos anos 90, este par tornou-se famoso pelas roupas coloridas e femininas, que contrastavam com a onda do minimalismo que estava na moda naquela época. Embora o relacionamento pessoal de Dolce e Stefano Gabbana, tenha terminado em 2005, esta é uma dupla inseparável. Tal como o The New Yorker já afirmou, «Gabbana é o olho para as mãos de Dolce». Os especialistas defendem que Dolce e Stefano Gabbana irão continuar sempre a trabalhar juntos num império duradouro que os dois criaram «do zero».

1921 Gucci

Designer: Gucci

Onde: Xangai

Chama-se Gucci Café 1921 e está localizado na boutique de Xangai, situada numa das avenidas comerciais mais populares da cidade. O nome presta homenagem à história da marca, fazendo referência ao ano da sua fundação. Construído no quarto andar do shopping de luxo IAPM, em Huaihai Lu, o Gucci Café de 1921 demorou dois anos a ser concluído. A decoração reflete o estilo icónico da marca, com tons dourados e detalhes de veludo e o logotipo do restaurante está presente em vários elementos como os menus, os talheres e os guardanapos. O cardápio é rico em pratos italianos, mas o restaurante oferece uma ampla variedade de opções gastronómicas. Este é o primeiro restaurante com serviço completo da marca. No museu da Gucci, em Florença, Itália, há um café que foi inaugurado em 2011 para comemorar o 90º aniversário da marca.

Gucci

A Gucci nasceu em 1992, em

Florença, pelas mãos de Guccio Gucci, filho de artesão e de origem humilde, que, enquanto trabalhava como maitre, no famoso hotel Savoy de Londres, reparou nos símbolos das malas e dos brasões de família e, a partir daí, começou a fabricar as suas próprias malas e carteiras. A sua intenção inicial era vender acessórios de viagens, feitos com materiais de alta qualidade, pelos melhores artesãos da cidade e, em pouco tempo, os trabalhos de Guccio Gucci conquistaram a alta burguesia florentina. A primeira grande loja da Gucci abriu na cidade de Roma, em 1938. Um dos nomes mais icónicos relacionados à Gucci foi Jacqueline Kennedy, que, inclusivamente, foi homenageada com a criação da carteira «Jackie». Em 1953, faleceu Guccio e a marca tornou-se propriedade familiar, mas, ao mesmo tempo, começou a sua expansão internacional. Ao longo dos anos, a direção da marca passou por várias mudanças, até chegar a Tom Ford, nos anos 90. Alessandro Michele é o atual diretor criativo, cargo que ocupa desde 2015 e que tem contribuído muito para a valorização da marca, graças às suas criações idiossincráticas e à sua paixão pela moda vintage.

Le Café V

Designer: Louis Vuitton

Onde: Osaka

Pela primeira vez na história, a Louis Vuitton inaugurou café e restaurante em simultâneo. Famosa pelos seus artigos de couro, a marca acaba de se introduzir no segmento da restauração com a abertura de um café, o Le Café V, e de um restaurante, o Sugalabo V, ambos localizados na nova loja Louis Vuitton Maison Osaka Midosuji, inaugurada em fevereiro.

Para a execução do singular projeto, a maison uniu forças com profissionais locais. O exuberante edifício, que também alberga uma boutique, foi projetado por Jun Aoki, arquiteto já familiarizado com a marca francesa – por exemplo, a reforma da fachada da loja de Matsuya Ginza, realizada em 2015, é da sua autoria. Já o chef selecionado para assinar a cozinha foi Yosuke Suga, proprietário do restaurante Sugalabo (localizado em Tóquio), atualmente na 46ª posição do ranking “The 50 Best”.

Enquanto o Le Café V está localizado no último piso, repleto de luz natural, com aconchegantes sofás amarelos e um terraço espaçoso com bar, o Sugalabo V, aberto apenas para o jantar, com amplo uso de ingredientes locais, nasceu com a intenção de permanecer como um clube fechado: o processo de reservas é secreto, provavelmente disponível apenas para os convidados da marca.

Louis Vuitton

Quando a palavra “luxo” e o objeto “carteira” surgem numa única frase, certamente podemos com facilidade evocar um nome: Louis Vuitton. Para alcançar o seu atual estatuto, a Louis Vuitton passou por diversas situações ao longo da sua trajetória e, para a conseguirmos compreender bem, precisaríamos de retroceder no tempo mais de cem anos, quando o seu criador começou a escrever a sua história, que é já considerada por muitos como uma lenda.

Atualmente, e ano após ano, a Louis Vuitton é uma das marcas que apresenta melhor performance dentro do grupo LVMH, tendo reportado resultados recordes no último balanço financeiro publicado em 28 de janeiro de 2020. E com esta novidade, mais do que apenas a Louis Vuitton, o conglomerado LVMH demonstra “apetite” para o segmento da restauração: para abril deste ano, está programada a reinauguração da mítica department store La Samaritaine, encerrada em 2005. Junto a esta estará o hotel boutique cinco estrelas Le Cheval Blanc, com apenas 72 quartos. O primeiro grande movimento do grupo no sector foi em 2018, com a aquisição da marca Belmond.

Descubra mais em www.dsquared2.com, www.dolcegabbana.com, www.gucci.com e www.louisvuitton.com.

Por Sofia Santos Cardoso

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