O requinte dos oceanos – As pérolas do mar português

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As águas cristalinas dos oceanos guardam mais do que o olho humano observa à primeira vista. Cenários idílicos, nalguns casos, intensos e dramáticos, noutros, os oceanos são especialmente ricos pela imensa biodiversidade que encerram. Desde a superfície às suas profundezas, descubra os segredos que o mar nos reserva e que servem de inspiração para a nossa gastronomia.

Portugal é um país rico em recursos naturais, dada a sua fauna e flora e a larga costa que possui. Em contacto direto com o oceano Atlântico, os portugueses, desde há vários séculos, aprenderam a explorar e a retirar o maior proveito possível do mesmo: quer para fins turísticos, graças aos vastos areais que convidam, nos dias de calor, a estender a toalha ao sol e desfrutar de um refrescante mergulho nas ondas do mar; quer para fins gastronómicos, onde a diversidade marinha aqui existente permite criar novas receitas (ou até mesmo recriar as mais tradicionais) e servir pratos com produtos frescos e máxima qualidade garantida. Dos mais ricos peixes, ao marisco e crustáceos, levamo-lo numa viagem pelos melhores sabores do mar, um luxo de fazer crescer água na boca.

Iniciamos o nosso roteiro a norte de Portugal, mais especificamente na cidade de Matosinhos. É neste município, localizado a menos de cinco minutos da cidade do Porto, que encontramos a marisqueira e restaurante Os Lusíadas, um espaço de requinte que conta já com três gerações de experiência na escolha e preparação de pratos únicos. O restaurante apresenta uma vasta carta definida pela sua cozinha essencialmente de mar, da qual destacamos a oferta de marisco, que vai desde camarão tigre grelhado às ostras; aproveite, igualmente, para experimentar as opções de peixe, onde a garantia da frescura é uma das promessas da casa.

Descemos até ao município de Ílhavo para visitarmos o conhecido restaurante Dóri. Localizado na Costa Nova, entre a ria de Aveiro e o Oceano Atlântico, o restaurante situa-se no primeiro andar de um edifício envidraçado com uma vista deslumbrante para a ria. O espaço, cujo nome encontra inspiração nos típicos barcos de pesca do século XIX, é uma das recomendações do Guia Michelin de 2020. A sua especialidade são os peixes selvagens, cozinhados fundamentalmente na brasa, e os mariscos. Da carta destacamos a fritada de peixe e o ensopado de rodovalho.

Continuamos a nossa viagem, desta vez rumo à deslumbrante vila de Cascais. Aqui, são numerosos os restaurantes de renome ligados ao mar, contudo, não poderíamos deixar de destacar o Mar do Inferno, um ponto de passagem obrigatória para quem pretende experimentar as aclamadas bruxas de Cascais. Na Estrada do Guincho, entre as dunas e o oceano, também se encontra o restaurante Panorama, onde o marisco fresco e os pratos de peixe acabado de pescar fazem parte da carta. Igualmente na mesma zona está o Porto Santa Maria, que assume o compromisso de levar à mesa os ingredientes mais frescos, dispondo de viveiros com peixe e marisco da costa portuguesa.

Terminamos o nosso roteiro à beira-mar, em Sesimbra, no restaurante Filipe. Desde o ano de 1986 que este espaço, que se tornou histórico na região quando era ainda um café, evolui para restaurante, mantendo-se sempre como negócio familiar. A história do restaurante cruza-se com a história da vila de Sesimbra e a sua ligação ao mar, onde outrora se avistava da atual varanda panorâmica a chamada “lota na praia”, um mercado de venda de peixe em pleno areal. Da sua extensa carta destacamos a mariscada para duas pessoas, o camarão de Sesimbra e os lagostins.

– OSTRAS

As ostras são uma iguaria inevitavelmente ligada ao luxo – não só pela riqueza do seu sabor, como pelos recorrentes mitos acerca das pérolas que poderá encontrar dentro das suas conchas. Até há uns anos, as ostras produzidas em Portugal eram, sobretudo, destinadas à exportação para França; hoje em dia é um tipo de marisco muito presente na nossa gastronomia, constando das cartas de diversos restaurantes, de norte a sul do país. Assim como a maior parte dos mariscos, a melhor época para o consumo das ostras é o inverno, dado o facto de ser a altura em que as mesmas se encontram mais cheias e, portanto, com mais sabor. Apesar de ser um animal tipicamente marinho, as ostras também poderão ser encontradas em águas salobras como rios, rias e estuários – aliás, as maiores regiões de produção em Portugal localizam-se junto das grandes rias, tais como Aveiro, Sado, Alvor, Formosa e também no Rio Mira.

– ATUM-RABILHO

O atum-rabilho é das espécies de atum mais valorizadas em todo o mundo, em especial pelo povo japonês, que o privilegia para a utilização nos pratos de sushi, sashimi e tataki. Esta espécie pode atingir até os três metros de comprimento e um peso máximo de 650 quilos. Pode ser consumido assado, grelhado, no forno, guisado ou mesmo cru, sob a forma de carpaccio ou em conserva. Portugal é um dos países que beneficia com a presença desta espécie, que decorridas duas décadas retornou à costa algarvia, onde grande parte dos peixes capturados são exportados para o Japão.

– BRUXAS DE CASCAIS

Se o seu aspeto não é o mais apelativo, o seu sabor é de deixar água na boca: as chamadas ‘bruxas’, como são comummente conhecidos os crustáceos da espécie Scyllarys arctus, pertencem à família das lagostas e apresentam fortes semelhanças com o cavaco, com o qual são muitas vezes confundidas. Ao contrário dos cavacos, que chegam a atingir comprimentos de 40 centímetros, as bruxas atingem um comprimento máximo de 16 centímetros e distribuem-se, maioritariamente, pelo mar Mediterrâneo e pela parte nordeste do oceano Atlântico, desde os Açores, Madeira e Canárias à costa norte-africana. Portugal é um país rico na produção deste crustáceo, com especial foco na zona de Cascais.

Por Marta Carreiro

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