O legado de Jeanne Toussaint na Cartier

L’Odyssée conta a história da Maison

L’Odyssée de Cartier – um diálogo criativo entre o passado, o presente e o futuro da Cartier, com mais de 150 anos – é uma série de curtas-metragens, cujos primeiros quatro episódios dão o tom com histórias dedicadas às influências da Maison e ao estabelecimento do estilo Cartier. Ao longo de vários capítulos, L’Odyssée de Cartier viaja no tempo para contar histórias, de grande e pequeno formato. Cenas da realeza, inspirações distantes, fauna, criações icónicas, clientes ilustres: o século XX é passado em retrospectiva, ao ritmo animado de uma narração realizada pelo ator e comediante francês Edouard Baer.

Jeanne Toussaint, a lendária diretora criativa, mulher visionária e pioneira, é figura de relevo ao estabelecer o estilo de Cartier a partir dos anos 30. Ela adorava joias indianas e encontrou inspiração no esplendor dos grandes marajás. Toussaint também manteve uma atitude independente, tough, que serve até hoje como role model para muitas mulheres.

Toussaint ficou ainda conhecida por introduzir a pantera como um ícone da Maison Cartier, que ainda hoje ocupa um lugar especial na história das jóias da casa francesa.

Musa da cena criativa e social de Paris, Toussaint conheceu Louis Cartier antes da Primeira Guerra Mundial. A sua inteligência afiada e feroz determinação valeram-lhe o apelido de “La Panthère”. Por isso, entre os seus acessórios, figurava um estojo de maquilhagem decorado com uma pantera entre dois ciprestes, oferecido por Louis Cartier em 1917. Tal foi a primeira pantera figurativa da Cartier, embora uma representação mais abstrata – num relógio com uma camada de ónix e manchas de diamante – date de 1914.

Em 1919, Toussaint encomendou à Cartier um estojo de maquilhagem em esmalte dourado e preto do Cantão que, mais uma vez, apresentava a pantera. Tais ações fizeram do felino a sua assinatura pessoal.

O seu gosto e originalidade impressionaram Louis Cartier que logo a convidou para trabalhar na Maison. Inicialmente a fazer projetos de carteiras, ela passou também a desenhar estojos de maquilhagem, caixas para cigarros e todos os tipos de acessórios. Em 1924, Louis nomeou-a chefe do novo departamento “S” (Prata), que produziria coleções de “designers” mais acessíveis. A partir daí, Jeanne Toussaint passou a se especializar em design de joias.

Em 1933, foi promovida a Diretora de Criação no estúdio Rue de la Paix, onde supervisionou uma equipa masculina de designers, joalheiras artesanais e criadores de pedras preciosas. Nomeada pelo próprio Louis Cartier, ela foi uma das primeiras mulheres a ocupar uma posição de destaque no setor. Trabalhando com o designer Pierre Lemarchand, um visitante frequente do zoológico de Vincennes, juntos criaram uma nova silhueta escultural: a orgulhosa e poderosa pantera da década de 1940. Eles transformaram o motivo, transformando-o numa das peças mais evocativas de joalharia do século XX.

Durante a Ocupação de Paris, Toussaint provocou as autoridades alemãs ao exibir o seu broche Oiseau en Cage na vitrina da boutique da Rue de la Paix. Com um rouxinol de olhos tristes em vermelho, branco e azul, o broche justificou o seu interrogatório pela Gestapo.

Em 1948, o duque de Windsor encomendou a Jeanne Toussaint um broche Panthère como presente para a duquesa. Predadora e imponente, no impressionante cabochão de esmeralda com mais de 116 quilates, a pantera causou uma poderosa impressão tridimensional. No ano seguinte, em 1949, Toussaint criou um broche de safira Panthère, por sua própria iniciativa. Esta nova peça também veio a ser adquirida pelos Windsors.

Algumas mulheres preferiam panteras; outras tigres ou lagartos. Os clientes de Jeanne Toussaint estavam unidos pelo seu estilo incrivelmente chique, audacioso e livrem com um gosto por joias que brilhavam com personalidade. A Duquesa de Windsor usou uma pantera no cinto; a atriz Jacqueline Delubac agraciou-se com um lagarto na garganta; a atriz mexicana Maria Félix levou as suas cobras para um dia nas corridas, ícone de moda e editora parisiense da revista Harper’s Bazaar, Daisy Fellowes brilhava com o seu colar hindu no baile Besteigui e a socialite americana Barbara Hutton ostentava um tigre no ombro.

Pode-se dizer que foi essa pequena mulher, fazendo lembrar um pássaro, que revolucionou a arte da joalharia. A Cartier e o mundo inteiro não esquecem que lhe devemos as joias atuais, assim como as mais flexíveis… tendo nascido em 1887, em Charleroi, Bélgica, e vivido uma vida esplendorosa, Jeanne Toussaint, La Panthère, falece a 7 de maio de 1976 em sua casa, no 16º distrito de Paris, deixando um legado que impactou drasticamente o design de joias de luxo da Cartier e não só.

Disponível no site da marca ou no seu canal de YouTube.

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