Soraya da Piedade, estilista – à conversa com F Luxury

 

Estilista angolana em ascensão

 

É uma jovem estilista angolana que se afirma no mundo da moda desde 2010, mas garante que se trata de uma paixão que existe desde sempre. Entre Angola e Brasil, já foi galardoada com o prémio Estilista Revelação e com o prémio Estilista do Ano. Em 2015, foi reconhecida como Fashion Designer do Ano, em Angola. Falamos de Soraya da Piedade…

Quem é a Soraya da Piedade? Fale-nos um pouco de si…
Sou uma pessoa simples, autocrítica, tolerante, amiga, criativa (noutras áreas para além da moda), tímida, perfecionista e muito dada à família.

Quando é que nasce o gosto pela moda?
Pelo que me dizem os familiares mais próximos, desde sempre (risos). Mas a consciência de que poderia fazer alguma coisa mais prática com o que sentia (com uma vontade imensa de criar e vestir as pessoas) aconteceu quando tinha perto de 25 anos, já no Brasil e a fazer a Faculdade. Foi quando decidi, após concluir o ensino superior, fazer o curso de Design de Moda.

Hoje, estabelece a ponte entre o Brasil, onde se formou, e a sua terra natal – Angola. A vivência entre estas duas culturas é representada nas suas criações?
Sim e não. Sempre tive um sentido estético muito forte e atípico. E quando fiz o curso de moda, já o carregava comigo, mas, entretanto, o que aprendi no curso e toda a moda que respirei nos meus dez anos de Brasil, com certeza contribuíram para que eu criasse uma identidade final e coesa, que é hoje o DNA da marca. E quanto à nossa cultura, a veia para o DNA africano está agora representada numa linha que é a nova aposta da marca, a«Bantú»…

Em 2012, ano em que regressou a Angola, ganhou o prémio de Estilista Revelação, e em 2015, o prémio de Estilista do Ano. Foi também nomeada para os prémios Moda Luanda, em 2014 e 2015. O que significam, para si, essas nomeações e estes títulos?
Servem de parâmetro para o crescimento da marca. Para além de confirmarem a evolução consistente da mesma, é um grande motivo de orgulho para mim, pois ano após ano, dedico-me para que esta evolução aconteça. E perceber também que este esforço é visível para o grande público. Esse é, com certeza, o meu grande prémio.

O que é que as pessoas podem encontrar de diferente nas suas criações?
Sinceramente, é difícil responder a esta pergunta (risos), mas tento sempre aliar o conforto e o design, com acabamentos perfeitos. Pelo «feedback» que a marca tem recebido, parece-me que este trio tem agradado.

A moda em Angola tem dado passos significativos?
Com certeza e ainda bem! O mercado já estava a precisar disto, da renovação, do agregar, da evolução e, principalmente, de diversificar as opções de oferta de serviços e produtos. E a nova geração de designers e outros intervenientes desta mesma área, como bloggers,produtores de eventos de moda, etc., têm contribuído para que isto aconteça. Tenho fé que, a médio prazo, iremos começar a perceber que não se trata apenas de uma preocupação de quem de direito, mas também uma perceção de que a moda feita em Angola já começa a ser rentável. E já se sente a falta de apoio de uma indústria específica. Mas, paralelamente a isto, espera-se também o apoio de empresários nacionais que possam apostar nos talentos «made in Angola», para que esses passos não sejam apenas significativos, mas também permanentes…

E Portugal, está nos seus planos?
Com certeza! Um dos meus grandes sonhos é justamente a internacionalização da marca. Nos últimos dois anos, temos feitos desfiles internacionais em países como o Brasil, Portugal (integrado na Black Fashion Week) e Londres. A vontade de voltar a Portugal, não só para eventos de moda, como também para abrir filiais da marca, pelo facto de termos um grande leque de pedidos, é muito grande. Veremos o que nos reserva o futuro.

Em que se inspira para as suas coleções?
Em tudo e em qualquer coisa, sem restrições… (risos)

Criatividade e talento andam de mãos dadas?
De modo geral, sim. Ser criativo é um dos milhares de talentos (ou dons) que existem.

Atualmente, a Soraya é uma estilista bem-sucedida. Olhando para trás, encontra-se hoje como imaginou um dia?
Ainda não! Tenho apenas seis anos nesta carreira, que pretendo que seja duradoura, mas falta-me ainda muito para percorrer. Em termos de aperfeiçoamento em técnicas, pretendo ainda fazer alguns «upgrades», aprimorar-me, crescer, oferecer outras linhas e opções para o meu público, como, por exemplo, a linha infantil que está em fase de lançamento, a «Z’s for Kids». Tenho ainda vários projetos em carteira para os próximos anos, portanto, não tenho pressa. Mas estou, sem dúvida, num momento confortável. Talvez não pensasse estar, em tão pouco tempo, de volta a Angola (três anos). E isto dá-me ainda mais «combustível» para seguir…

Podemos afirmar que a moda é a sua vida?
Não. A minha vida é a minha família. A moda é a minha grande paixão, o meu sonho.

Qual é o segredo do sucesso?
Não sei se já estou em posição para responder a esta pergunta, mas acredito que esteja na base da minha carreira. Estar a ser bem-sucedida é acreditar que nada é impossível e que podemos, sim, tirar «leite de pedra», desde que acreditemos nisso. Talento, fé, perseverança e técnica.

O que ainda lhe falta concretizar no futuro?
Ah… São tantos sonhos, projetos, planos, que não saberia enumerá-los (risos). Mas posso adiantar que a próxima concretização será a inauguração do atelier oficial, em Luanda.

Que conselhos dá para quem se quiser lançar no mundo da moda?
O talento deverá estar aliado a outros itens indispensáveis, como as técnicas de gestão, de marketing, de criação, de venda,etc. Não basta ser-se criativo. Hoje em dia, precisamos de muito mais do que isso para manter o negócio a funcionar, pois a moda é também um grande negócio e, como qualquer outro, precisa de ter um plano e ser bem gerido, para que cresça e dê frutos.

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